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Os museus desconhecidos de Paris

Palais de Chaillot

Por Chris Pitts

Se há uma coisa pela qual os parisienses são tão obcecados quanto comida, é arte. Essa paixão por arte e cultura em geral é refletida no vasto número de museus em Paris. De acordo com a prefeitura, há 204, um dos mais altos números do mundo. Todos conhecem o Louvre, o Centre Pompidou e o Musée d'Orsay, mas com tantos outros, você poderia ir a Paris várias vezes e ainda conheceria algo novo em cada viagem.

O Musée d'Orsay é mesmo lindo, mas não deixe de conhecer as joias escondidas de Paris
Foto por: Shaun Dodds/ThinkStock

 

Os fãs do Impressionismo certamente estão familiarizados com as coleções de Monet no Musée de l'Orangerie ou no Musée Marmottan; da mesma forma, entusiastas da arte asiática com certeza já ouviram falar no Musée Guimet des Arts Asiatiques. Mas à sombra dessas instituições culturais mais antigas e estabelecidas estão alguns achados surpreendentes.

La Pinacothèque, por exemplo, abriu as porta em 2007, na place Madeleine, como o diretor Marc Restellini descreve, “com o objetivo de tornar a arte mais acessível a um maior número de pessoas”. Sua abordagem não-linear da história da arte conquistou residentes acostumados às apresentações mais formais encontradas ao redor da França, com exibições que variam de ouro inca e exército de terracota da China a retrospectivas que cobrem o trabalho de Edvard Munch e Maurice Utrillo. La Pinacothèque também foi elogiada por seu espaço de exibição, que é mais íntimo do que o dos grandes museus da cidade e permite que o visitante se aproxime das peças.

Vista do Palais Chaillot, onde fica o Cité de l'Architecture et du Patrimoine
Foto por: Peter Kirillov/Hemera/ThinkStock

 

Outro museu inaugurado na mesma época foi o fabuloso Cité de l'Architecture et du Patrimoine, que fica localizado na ala leste do Palais Chaillot, na margem do Sena oposta à Torre Eiffel. As paredes cor de vinho e as galerias de teto de vidro ostentam 350 pedaços de modelos em gesso dos principais monumentos do país, uma coleção que teve início na destruição de muitas construções durante a Revolução Francesa. Alguns dos detalhes originais de que os modelos foram feitos, como esculturas da Catedral de Notre-Dame de Reims, foram destruídos nas guerras posteriores. Apesar de não estar in situ, andar por uma coleção tão magnífica de portais de igreja, gárgulas e santos e pecadores de toda a França – que variam por cerca de 1000 anos de história – é uma experiência incomparável para qualquer um interessado em histórias elementares que artesãos escolheram preservar em pedras. Também estão em exposição modelos em escala, afrescos reproduzidos e janelas de vitrais.

Visitar o Cité tem outras vantagens: o Palais Chaillot por si é uma grande atração
Foto por: JavierGil1000/iStock/ThinkStock

 

Apesar de o Musée du Quai Branly ter recebido mais reconhecimento – e eventualmente mais críticas – como a coleção parisiense de arte não-ocidental em destaque, o Musée Dapper é uma parada fantástica para aqueles interessados especificamente em arte africana e caribenha. Além da coleção permanente, que foca em esculturas e máscaras, há também performances regulares que incluem concertos, filmes e apresentações infantis.

É claro que alguns dos museus menos conhecidos de Paris possuem mais do que apenas arte em si – funcionando em residências de época, eles também oferecem a oportunidade de ver de perto um pouco dos estilos de vida parisienses e dos móveis dos tempos do ápice cultural e político na França. Um trio de locais do tipo, todos em hôtels particuliers (mansões) do século 19, está localizado no 8º arrondissement, próximo ao Parc Monceau. O Musée Jacquemart-André, talvez o mais impressionante, exibe as coleções privadas de obras-primas da renascença italiana de Édouard André and Nélie Jacquemart. O Musée Nissim de Camondo fica dentro de uma mansão planejada a partir do Petit Trianon de Versalhes e contém mobília do século 18, tapeçaria e porcelana. Também próximo fica o Musée Cernuschi, que abrange o Museu de Arte Asiática municipal e era originalmente uma coleção privada do banqueiro italiano Henri Cernuschi. A coleção é pouco usual por ter o foco em estatuário chinês raramente visto, desde peças de bronze que datam do século 15º a.C. até  obras de arte da dinastia Tang (618-907).

Depois de visitar o trio de museus, não deixe de passear pelo Parc Monceau
Foto por: vivekiyer9/iStock/ThinkStock

 

Quando perguntaram ao senhor Restellini, de La Pinacothèque, por qual motivo Paris possui tantos museus, sua resposta foi simples: “É a capital cultural do mundo”. Apesar de ser discutível, é provável que todos os parisienses concordassem com ele. Em todo caso, não importa quantas vezes você foi à cidade, sempre haverá algo novo para descobrir.

Este artigo foi publicado em Abril de 2015 e foi atualizado em Abril de 2015.

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