Dicas e artigos

Onde se sentir como da família

Só curtindo...

Sarah Baxter

Casas particulares, Cuba

O quarto é uma espécie de reduto retrô: todo decorado com antiguidades, fotos antigas da família e plantas bem frondosas. Uma brisa morna passa pelas persianas cheias de respingos de tinta. A mesa é composta por montanhas de camarões frescos e pela conversa animada sobre Castro e sobre o que está rolando nas novelas de TV. Depois, é hora de fumar um charuto... As casas particulares de Cuba, que foram legalizadas em 1997, ajudam no orçamento dos habitantes locais. Para os viajantes, dão a oportunidade de aproveitar o melhor tipo de hospedagem nessa ilha do Caribe: não apenas são mais baratas que hotéis, como têm mais personalidade, refeições caseiras e um contato direto com a cultura cubana.

Você encontra casas particulares (www.casaparticularcuba.org) em todos os cantos da ilha.

Ger, Mongólia

Hospedar-se em casas de família em pleno Deserto de Gobi? Bem, não há exatamente casas por ali: os nômades mudam as suas gers (tendas) de lugar conforme os caprichos do clima. Mas algumas dessas tendas se fixam por tempos suficiente para que os viajantes desbravadores das estepes consigam passar uma noite nelas. Há algumas regras: ao se aproximar de uma tenda, grite “Nokhoikhor!” (segure o cachorro!), o equivalente mongol para o nosso bater na porta; ao entrar, ande para a esquerda (a direita é a área da família); não se sente com as costas ou os pés apontando para o altar da tenda; e, quando lhe oferecerem airag (leite fermentado de mula), aceite – mesmo que você não queira...

Os acampamentos Ger abrem em meados de maio. Junho e setembro são meses agradáveis; julho/agosto são o pico da temporada, embora a temperatura possa beirar os 40 graus.

Plantação de coco, KeralaÍndia

O comércio de coco em Kerala não é mais o que costumava ser. Os preços caíram, e os jovens atuais já não querem mais escalar palmeiras para colher um ganha-pão um tanto precário. Felizmente, os habitantes do País de Deus são engenhosos. Com a queda da colheita, muitos donos de plantações no Sul da Índia abriram as portas de suas belas casas coloniais para os viajantes. O que significa ótimas oportunidades para uma hospedagem mais intimista, com frequência em construções elegantes e repletas de antiguidades, com palmeiras e vegetação exuberante emoldurando a paisagem lá fora, além de riachos borbulhantes e deliciosos pratos com curry (coco costuma ser um dos ingredientes) na mesa do jantar todas as noites.

Os principais aeroportos ficam em CochinKozhikode e Trivandrum. A Trivandrum Rajdhani Express (que leva de Nova Déli a Trivandrum) leva 41 horas.

Casa no distrito, Soweto, Johanesburgo, África do Sul

Em1904, o distrito de Klipspruit foi fundado a sudoeste de Johanesburgo para abrigar os trabalhadores africanos negros que, segundo os oficiais, poderiam lotar o centro da cidade. Ele cresceu espontaneamente, até formar o vasto e caótico caldeirão de diversidade que é Soweto. Hoje, trata-se de uma miscelânea encantadora: bares e shebeens (pubs) enfileiram-se lado a lado com centros de compras reluzentes e mansões; há ainda o museu Mandela (em sua antiga casa) e memoriais do levante estudantil de 1976, além de gírias e o estilo único da juventude local. Passar a noite com uma família local em sua casa é a melhor maneira para começar a compreender essa comunidade multicultural e vibrante, porém engajada e firme em seus propósitos.

Chega-se ao Soweto pelo Metro Rail, partindo da estação Johannesburg Park Station. Tours guiados são aconselháveis para quem quer explorar para além da Orlando West.

Sobe, Croácia

Saia do ônibus e pegue uma balsa em qualquer lugar da costa da Croácia no verão, e seu primeiro encontro não será com o mar azul-turquesa, nem com as tavernas que servem deliciosos peixes grelhados, mas com as senhoras “sobe” – em geral, vovós sábias – que assediam turistas oferecendo quartos para alugar em suas casas. “Sobe? Quer um quarto? Bom preço”, você ouvirá palavras assim em inglês. E, olhe, elas têm razão quanto a essa boa opção de hospedagem: embora qualidade e estilo variem (é bom olhar antes de pagar), esses tipos de casa são uma boa barganha, além de serem equipadas, muitas vezes, com pequenas cozinhas, camas confortáveis e até uma “mãe” local.

Chegue cedo para conseguir os melhores quartos e preços.

Casa comunitária de Iban, SarawakMalásia

Pode ser bem aconchegante hospedar-se em uma casa comunitária do povo Iban. Membros do maior grupo étnico de Sarawak (antes conhecidos por sua tendência a preservar as cabeças – cortadas – de seus inimigos) tradicionalmente vivem em estruturas comunitárias de madeiras, que podem abrigar até 30 famílias – e alguns viajantes curiosos. Muitas dessas casas ficam afastadas no meio da selva e, para se chegar a elas, é preciso ir de barco. Assim que chegar, peça para falar com o chefe da tribo que, espera-se, convidará você a entrar na área comum cada casa, chamada ruai. É ali que tudo acontece: come-se e bebe-se vinho de arroz, além de bater papo e dançar. Esse povo é chegado em uma festa, então não pense que conseguirá dormir muito.

É preciso dar presentes aos anfitriões do povo Iban; objetos ou alimentos que possam ser compartilhados entre as famílias da casa comunitária são as melhores opções.  

Casa de vilarejo, OtavaloEquador

Não há descanso para o hóspede das montanhas equatorianas – não quando há milho a ser colhido e sandálias a serem costuradas. Na cidadezinha tradicional de Otavalo, conhecida pela população indígena em suas roupas coloridas e um mercado (um pouco turístico) de artesanato, algumas casas recebem viajantes e os encorajam a colocar a mão na massa. Levante-se ao som do canto do galo – vale a pena ver o sol nascer sobre os vulcões próximos – depois passe o dia ajudando a alimentar os porquinhos da índia e a plantar repolho, além de aprender o bordado andino. Os esforços serão recompensados por refeições generosas (lembra-se dos porquinhos?) e uma vivência autenticamente otavaleña.

A operadora de turismo local Runa Tupari providencia hospedagem e atividades culturas na região: www.runatupari.com.

Tenda beduína, Wadi Rum, Jordânia

Ok, os acampamentos espalhados pelo deserto da Jordânia podem não ser 100% autênticos – você precisaria conhecer uma família beduína há tempos para que ela o convidasse para passar a noite em sua casa. Mas as versões turísticas de tendas beduínas também permitem que você conheça o estilo de vida do Oriente Médio sob a luz das estrelas, e ainda têm confortos, como banheiros e chuveiros aquecidos pela energia solar. Embrenhe-se pelas rochas do Wadi Rum em veículo 4x4 ou camelo, parando para tomar chá com os beduínos, depois passe a noite aconchegando-se entre cobertas quentinhas, com uma fogueira faiscando no acampamento e as constelações brilhando lá em cima.

Os melhores meses para visitar são de março a abril e de outubro a novembro; de maio a setembro, mas temperaturas diurnas podem passar de 40°C.

Bure, Fiji

Não há muito que dizer sobre a bure, cabana típica de Fiji – são construções simples, de madeira e palha, sem janelas, com paredes escuras e piso de taipa. Mas, quando o paraíso está logo ali fora, ninguém liga muito para a decoração de interiores. Há bures com mais ou menos confortos, mas o entorno é sempre o mesmo: o Pacífico Sul é sempre azul e as praias, como aquelas de comerciais de TV. E, o que é melhor ainda, você se sentirá mais integrado à comunidade local. Vá ao mercado com as senhoras locais, saia de barco com os pescadores do vilarejo, aprenda a cozinhar em um lovo (fogão de barro) ou, simplesmente, sente-se e sinta a brisa do mar no rosto.

Na visita a um vilarejo de Fiji, é educado dar raiz de Kava de presente para os anfitriões. Veja outras regras da etiqueta local em www.fijihomestays.com.

Sofá, qualquer lugar do mundo

Chalé à beira-mar, apartamento na cidade, bangalô, cabana, mansão, tapera – qualquer um destes pode ser a sua casa por uma noite, em qualquer lugar do planeta. Graças à internet, que permite que você se comunique com alguém no Uzbequistão tão facilmente quanto com um vizinho, o conceito de couch-surfing (surfe de sofá, literalmente) se popularizou muito. A ideia é: em sua viagem, você pode contatar habitantes locais dispostos a receber você nas casas deles de graça. Em troca, você compartilha a sua cultura – trata-se de uma experiência cultural, ao mesmo tempo em que é uma barganha.

O site mais conhecido para achar um sofá amigo é o www.couchsurfing.org; www.bewelcome.org e www.hospitalityclub.org são opções similares.

Este artigo foi publicado em Julho de 2014 e foi atualizado em Novembro de 2014.