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Como sobreviver: férias em família com diferentes gerações - sem perder a cabeça

Família no Parque Guell, Barcelona

Greg Benchwick

A vovó quer ir ao museu de tecidos, seu companheiro está mais interessado em um jantar romântico, as crianças não estão nem aí e o cachorro… bem, o cachorro acaba de comer chocolate da bolsa do vovô e agora está vomitando...

Viajar com a família toda é uma experiência enriquecedora, desafiadora, cansativa e maravilhosa. E já que Jerry Seinfeld estava certo –  realmente "não há nada como diversão com toda a família" – estas dicas irão te ajudar a planejar férias em família para diferentes gerações e a manter todos na linha, para depois fazer albuns de scrapbook com as recordações (e com as histórias que você vai rir um dia, espero).


Escolhendo uma viagem para todas as idades

Nem todos os destinos são iguais. Para a sua tripulação heterogênea, você vai precisar encontrar um destino que atenda às necessidades das crianças, do seu cônjuge, do cachorro, do peixinho, da tia Maria e da geração mais experiente. Mas não se surpreenda se o vovô quiser praticar esqui aquático e o seu primo de 25 anos quiser ficar apenas relaxando do lado da piscina.

Sua melhor aposta é guiar (mas não controlar) o planejamento. Quando minha filha, Violeta, nasceu em Roma, todo mundo queria visitá-la – não apenas para cutucar e mimar a pequena bolinha de mingau que todos amávamos, mas também para conhecer os incríveis lugares que fazem a Itália ser um grande destino escolhido no mundo todo (até a família Griswold foi pra lá no clássico filme de comédia Férias Frustradas).  

A Europa tem de tudo – igrejas e arte para quem busca cultura, restaurantes sofisticados para quem procura romance, e infraestrutura para que ninguém se perca (identificar previamente seu itinerário – para reduzir o monitoramento por GPS ou por correias, marcar um ponto de encontro para o final do dia).   

Estar perto de casa facilita. Na época eu estava morando na Itália, trabalhando para as Nações Unidas e tinha bastante tempo para planejar nossa viagem. Mas o destino precisa estar alinhado com a dinâmica da sua família. Os mais briguentos devem escolher um lugar com muitas atividades guiadas, os que gostam de procrastinar devem reservar tudo de uma vez, os que gostam de culpar os outros devem optar por contratar um agente de viagem para planejar o roteiro, e os perfeccionistas devem encontrar um lugar onde não há perfeição, segundo a Medina de Marrakesh.

Encontrar um tema também é importante. Algumas das nossas melhores experiências com a família toda foram nos parques nacionais dos Estados Unidos. Há um centro de visita para a vovó, caminhadas tranquilas para as crianças e espaço suficiente para até o maior dos egos vagar livremente. Você também pode definir temas sobre museus e arte, aventura e atividades (tente ficar bravo com a sua irmã quando você está voando a 100 km/hora fazendo zipline), ou comidas e vinho (álcool é, é claro, o lubrificante universal para evitar que qualquer viagem em família se torne um desastre).

Também tento evitar destinos muito exóticos com toda a família, optando por passeios em atrações mais conhecidas.

Hora de planejar

Para começar a planejar tudo para a Itália, escolhemos um período que coincidia com as férias de todo mundo. Depois eu perguntei para cada um o que eles gostariam de fazer – tinha a irmã e o cunhado, uma mãe que acabava de dar a luz, o pai e o bebê, vovó e vovô, e um cão de rua turco de três pernas num cortejo que eu posteriormente apelidaria de ‘Geração Caramba!’.

Metade da turma já tinha visitado o circuito turístico do norte de Roma a Florença e passando por Veneza, mas estávamos viajando no período do Natal. Eu imaginei que o visual de inverno nesses clássicos seria de grande interesse. Imagine Veneza nevando (encantadora, vazia, duradoura e eternal).

Às vezes vale a pena assumir o controle (e às vezes você tem que deixar pra lá). Suas escolhas de hospedagem dependem muito da dinâmica da família. Eu sabia que eu, a mãe e o bebê precisaríamos do nosso próprio quarto, mas que nossa recém vovó iria querer tempo para família, tanto quanto possível.

Casas que alugam para temporadas e pequenas pousadas são perfeitas. Nós acabamos alugando chalés fora das grandes cidades. Ficar no interior significou mais espaço para o cachorro se divertir e permitiu um pouco de liberdade caso a mãe quisesse um tempinho a sós com a nossa preciosa Violeta, enquanto o resto da turma saía para explorar as cidades.
 

Na estrada

Todo os jantares na nossa viagem à Itália acabaram virando o momento de planejamento para o dia seguinte. Ao longo dos três ou quatro pratos, nós checávamos os guias e a internet, falávamos sobre onde gostaríamos de ir e criávamos grupos para atender os inúmeros desejos, necessidades e exigências. Eu sou um péssimo organizador – uma confissão vergonhosa para um escritor professional de viagens – mas minha irmã (surpresa!), pode planejar um itinerário das seis da manhã até a meia noite sem problemas. Deixe seus talentos aflorarem.

Vocês não precisam estar juntos 24 horas por dia (de fato, é melhor não fazer isso se você quiser chegar vivo em casa). Assegure-se de que cada pessoa tenha a oportunidade de aproveitar um tempo sozinho.

Se você é o organizador do grupo, às vezes você tem que ser meio ditador (e na minha opinião, cada viagem em família se beneficia de uma pessoa para chamar a atenção, trazer equilíbrio e ser o protetor do pedaço.  Dito isso, cada membro da família deve ter a oportunidade de planejar uma parte da viagem. A vovó, por exemplo, adora igrejas, então eu pedi que ela fizesse nosso roteiro em Pádua. Minha irmã e meu irmão adoram comida, o que fez com que eles fossem ótimos para definir lugares para jantar.

Como minha filha está crescendo, eu permiti que ela também fizesse alguns planos para as nossas viagens, guiando suas escolhas com opções inteligentes que funcionam para o resto da turma: ‘Hoje você quer ir pro museu ou para a praia?’, ‘Quer brincar de mímica no carro ou cantar músicas?’, ‘Eu ouvi falar de um tesouro no museu, vamos ver se conseguimos encontrá-lo’.

 

Dicas de Sobrevivência

"Isso não tem nada de férias", diz Clark W. Griswold em Férias Frustradas. ‘É uma busca por diversão. Eu vou me divertir e você vai se divertir. Nós todos vamos nos divertir tanto que vamos precisar de cirurgia plástica para tirar o sorriso dos nossos rostos!’

Soa familiar? Aqui algumas ideias para aliviar a tensão, quando tudo sai um pouco do controle.  

 

Tenha uma senha  

Funciona para a turma sadomasoquista e nesse caso pode funcionar pra você. Se as coisas ficarem muito tensas, grite 'Paparazzi!'

Deixe os ânimos acalmarem  

Então o papai está irritado porque você perdeu o ônibus. Deixe que ele se acalme a seu tempo. O pedido de desculpas virá em breve.

Assuma a culpa 

Não seja um mártir, mas entre de cabeça se o estrago já foi feito.

Separe e Conquiste

Permita que as pessoas tenham um tempo só para elas quando elas precisarem. Coisas boas vêm em pequenas quantidades, especialmente quando se trata de família.

Pequenos Prazeres

Cuide-se bem, principalmente se você estiver no comando. Se o capitão está infeliz, sua tripulação estará miserável.

Abraço em família

Finalize cada momento com um abraço, risadas e um beijo. Você está construindo memórias (boas e ruins) e, quando tudo isso passar, você irá lembrar desses momentos como os melhores da sua vida.

 

 

Greg Benchwick é escritor da Lonely Planet e mora no Colorado. Ele e sua filha – junto com um Pastor da Anatólia de mais de 45 quilos, a vovó, o avô e o papai George, tia Boo e tio Bry, e seus mais de 30 primos ainda viajam juntos. Eles até são amigos no Twitter e no Instagram. Acompanhe suas aventuras no Twitter @greentravels  e no Instagram @lonelyplanetauthor.

Este artigo foi publicado em Novembro de 2014 e foi atualizado em Dezembro de 2014.