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Chefchaouen: quatro maneiras de explorar a cidade azul do Marrocos

Rua de Chefchaouen

Laura Dale

Chefchaouen é uma paisagem de outro mundo, aninhada entre as montanhas marroquinas de Rife. Além de sua paleta notável de edifícios azuis e brancos, é o contraste deslumbrante com o cenário árido que a cerca que a torna um destino turístico popular, com muito a oferecer ao visitante. Embarque em uma das exaustivas trilhas morro acima ou em um passeio leve e idílico; banhe-se nos riachos das montanhas; ou mergulhe na culinária local e nas ótimas compras. Aqui sugerimos como planejar uma viagem para Chefchaouen em quatro estilos diferentes.

 

Foto: Eduardo1961/iStock/ThinkStock

 

Para os amantes da história

Fundada em 1471 por Moulay Ali Ben Moussa Ben Rached El Alami, Chefchaouen funcionava como uma fortaleza moura para exilados da Espanha. Ao longo dos séculos, a cidade cresceu e recebeu tanto judeus quanto cristãos convertidos. Os edifícios azuis-claros de Chefchaouen espelham o anil do céu marroquino – mas foram razões religiosas, e não estéticas, que definiram essa escolha. Ensinamentos judaicos sugerem que, ao tingir a linha com tekhelel (uma antiga tinta natural) e tecer com ela xales, as pessoas se lembrariam do poder de Deus. A memória dessa tradição está viva nas construções pintadas e repintadas de azul.

Hoje, Chefchaouen é um rico tapete cultural de membros da cultura berbere, muçulmanos e judeus, além de descendentes de mouros exilados da Espanha que viviam aqui nos anos 1400.

Os berberes podem ser distinguidos por suas roupas de algodão e chapéus de tecido, decorados com costuras bem coloridas.

Para os exploradores

Escondida na cordilheira africana localizada mais ao norte do continente, as montanhas Rife, Chefchaouen tem muito a oferecer aos fanáticos pelos esportes e aos aventureiros: vales, desfiladeiros e picos pitorescos em abundância, em meio a paisagens áridas, quebradas apenas por riachos que correm montanha abaixo. Há trilhas de vários dias e de um dia apenas, todas partindo de Chefchaouen. Algumas rotas passam pelas cidadezinhas próximas, como Jevel el Kelaa, um pouco a norte, passando por Afeska, cruzando florestas verdejantes e lindas vistas do Mar Mediterrâneo.

As noites são passadas sob céus sem nuvens, forrados por constelações bem visíveis, graças à pouca poluição. Mas você também pode encontrar acomodações em alguns vilarejos, que variam de albergues para mochileiros a hotéis de luxo.

Uma trilha de dois dias com a Journey Beyond Travel (journeybeyondtravel.com) parte de Chefchaouen, passando por uma fonte natural no caminho para um pequeno vilarejo no Parque Nacional Talasemtane. Após uma noite no alojamento da montanha, há uma visita ao rio Farda e à Ponte de Deus antes de um piquenique no almoço, uma parada em Akchour e um transfer de volta à cidade. Com a Tours By Locals (toursbylocals.com), os visitantes também podem explorar a região montando mulas.

Seja qual for a estação, os visitantes certamente depararão com vistas incríveis. O auge da temporada de trilhas é de abril a junho. No inverno, pode nevar um pouco em Chefchaouen, deixando as trilhas mais desafiadoras (ainda assim, uma experiência recomendável).

 

Foto: ibreibish/iStock/ThinkStock

 

Para os gulosos

Suas papilas gustativas ficarão maluquinhas após alguns dias nessa cidade, onde se encontram centenas de temperos, ervas aromáticas, texturas e aromas tentadores. Comece o seu dia com uma visita à padaria: o pão é assado em forno a lenha, o que garante um sabor especial e uma casquinha crocante.

No almoço, experimente o tagine típico da cidade: um prato de estilo marroquino com peixe, legumes, especiarias e azeite, servido sobre uma camada de cuscuz. O tagine, que pode ser servido no almoço ou no jantar, possui muitas variações, mas é mais comum que leve peixe e uma combinação de legumes e temperos. Também pode levar ras-el-hanout, uma mistura marcante de cerca de 30 temperos, entre os quais açafrão, páprica, cardamomo, pimenta, cominho e canela, entre outros.

Prove ao menos um tagine, carnes grelhadas e os peixes suculentos do Tissemlal Restaurant (casahassan.com/en/tissemlal-restaurant), que fica na Casa de Hassan. Hospedaria transformada em restaurante, é popular tanto entre os habitantes locais quanto turistas, que facilmente se tornam clientes fiéis. Sua cozinha aberta permite que se dê uma espiada no preparo dos muitos pratos de seu cardápio.

Acompanhe todas as refeições com um refrescante chá de menta, feito com folhas de chá verde, menta fresca e colheradas generosas de açúcar. Dizem que esse chá é excelente para a saúde, além de  parte importante do estilo de vida marroquino – muitos habitantes locais reúnem-se para conversar ao redor do bule fumegante, em um dos muitos cafés à beira das alamedas caóticas.

 

Foto: mariusz_prusaczyk/iStock/ThinkStock

 

Para os viciados em compras

Colorida e com jeitão de antiguidade, a medina de Chefchaouen é como um portal para outro mundo. Aninhada entre as ladeiras irregulares ao pé dos morros, esse é um empório a céu aberto viciante para os chegados em boas compras. Bules e pratos de metal brilham em meio às sombras. Mantas e xales tecidos a mão cobrem paredes e mesas. Tartarugas lutam por folhinhas de alface dentro de cestas plásticas azuis. Bolsas com estampa asteca e chinelos marroquinos empilham-se desordenadamente, caindo de seus sacos em plena rua.

Para objetos de prata e joias, pare na parte coberta da rua Hassan 1, onde as bugigangas equilibram-se em pilhas precárias e forram as paredes. Um pouco mais para frente ao longo da alameda de paralelepípedos, você encontrará cardigãs, xales e mantas feitos de lã ou de pelo de camelo. Desça pela encosta até Kasbah, onde há uma profusão bem organizada de potes de tagine feitos a mão, com decorações delicadas.

 

Foto: graffio77/iStock/ThinkStock

 

Antes de se animar demais e começar a encher suas sacolinhas com gemas e joias, tapetes e temperos, é melhor aprender a arte da barganha. No Marrocos, espera-se que você negocie, batalhando pelo melhor preço possível. Pergunte ao vendedor o preço dele antes de fazer uma contraoferta, negando de maneira simpática o seu pedido. Suba um pouco a sua oferta até chegar a um acordo e sempre finalize com um sorriso e um bom “shukran!” para agradecer aos vendedores.

 

Foto: Wildeemae/iStock/ThinkStock

 

Este artigo foi publicado em Novembro de 2014 e foi atualizado em Novembro de 2014.