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O que é Angkor?! Tudo que você precisa saber sobre o icônico templo cambojano

Angkor Wat

O primeiro olhar que o viajante tem do Angkor Wat, a máxima expressão do gênio de Khmer, é de tirar o fôlego – poucos outros lugares do mundo, como Machu Picchu e Petra, causariam essa reação.

O que é?

Angkor Wat é, quase literalmente, o paraíso na terra. Trata-se da representação terrena do Monte Meru, o Monte Olimpo da fé hinduísta, onde habitam os antigos deuses. O “templo que é uma cidade”, Angkor Wat é a perfeita fusão de ambição criativa e devoção espiritual. Os reis-deuses cambojanos de antigamente tentavam aperfeiçoar o trabalho dos seus ancestrais no que diz respeito ao tamanho, à escala e à simetria, culminando no que se acredita ser a maior construção religiosa do mundo, o pai de todos os templos – ou seja, Angkor Wat.

O templo é o coração e a alma do Camboja. Trata-se de um símbolo nacional, o epicentro da civilização Khmer e fonte de grande orgulho nacional. Erguendo-se em direção ao céu e cercado por um fosso, o Angkor Wat causaria inveja em alguns castelos europeus. É um dos monumentos mais inspirados e espetaculares concebidos pela mente humana. Diferentemente dos outros monumentos de Angkor, nunca ficou abandonado e tem se mantido em uso praticamente desde a sua construção.

 

O que Angkor Wat tem de tão extraordinário?

Está virado para o oeste: simbolicamente, o oeste é a direção da morte, o que já levou muitos estudiosos do passado a concluírem que o Angkor Wat devia ter sido usado inicialmente como túmulo. A favor dessa ideia ainda há o fato de que lindos relevos foram esculpidos nas paredes para serem lidos no sentido anti-horário, uma prática baseada nos antigos rituais funerários dos hindus. Vishnu, porém, é frequentemente associado ao oeste, e hoje é aceito que Angkor Wat devia servir tanto como templo quanto como mausoléu para Suryavarman II.

O portão oeste do templo
Foto por: LuckyToBeThere/iStock/ThinkStock

 

 

Suas ninfas sedutoras: Angkor Wat é famoso por exibir mais de 3 mil apsaras (ninfas) sedutoras esculpidas em suas paredes. Cada uma é única e há mais de 37 penteados diferentes – um prato cheio para os maníacos por moda e estilo. Muitas dessas lindas apsaras foram deterioradas durante os esforços indianos para limpar os templos com produtos químicos nos anos 1980, mas agora estão sendo restauradas por equipes do German Apsara Conservation Project.

Apsaras nas paredes de Angkor Wat
Foto por: iannomadav/iStock/ThinkStock

 

 

O nível de detalhes: visitantes ficam embasbacados pela grandiosidade de Angkor Wat e, igualmente, pelos fascinantes relevos decorativos e outros ornamentos. Estudiosos à época de Angkor devem ter lido ali várias camadas de significado, tanto quando um literato atual se delicia com o Ulisses de James Joyce.

 

Qual é o significado por trás do templo?

Eleanor Mannikka explica em seu livro Angkor Wat: Time, Space and Kingship (Angkor Wat: Tempo, Espaço e Reinado) que as dimensões espaciais do templo são um paralelo dos comprimentos das quatro eras (Yuga) do pensamento clássico hinduísta. Assim, o visitante que atravessar a passarela até a entrada principal e cruzar o pátio até chegar à torre principal, que já abrigou uma estátua de Vishnu, está, metaforicamente, viajando à primeira era da criação do universo.

Como os outros templos de Angkor, o Angkor Wat também replica o universo em miniatura. A torre central seria o Monte Meru, com os seus picos ao redor que, por sua vez, são cercados pelos continentes (os pátios abaixo) e os oceanos (o fosso). O naga de sete cabeças torna-se um simbólico arco-íris que serve de ponte para o homem se juntar aos deuses.

A estátua do naga de sete cabeças
Foto por: master2/iStock/ThinkStock

 

 

Embora Suryavarman II possa ter planejado Angkor Wat como o seu templo funerário ou mausoléu, ele nunca chegou a ser enterrado ali, pois morreu em batalha durante uma malfadada expedição para conquistar os Dai Viet (vietnamitas).


Como Angkor Wat foi construído?

Os blocos de arenito com os quais Angkor Wat foi construído foram retirados de uma mina a mais de 50 km de distância (da montanha sagrada de Phnom Kulen) e transportados pelo rio Siem Reap River em jangadas. A logística de uma operação dessas é de enlouquecer qualquer um, consumindo o trabalho de milhares – um feito inacreditável, dada a falta de caminhões e guindastes que tanto nos ajudam nas construções contemporâneas. De acordo com as inscrições, a construção de Angkor Wat empregou 300 mil trabalhadores e 6 mil elefantes, e ainda assim não foi totalmente finalizada.  

 

Orientação

Fosso: Angkor Wat é cercado por um fosse de 190 m, que forma um enorme retângulo de 1,5 km por 1,3 km. Do lado oeste, uma passarela de arenito atravessa o fosso.

Muro: há também um muro retangular externo, que mede 1.025 m por 800 m e tem um portão de cada lado. A entrada principal, um pórtico de 235 m de largura ricamente decorado com esculturas e relevos, fica do lado oeste. Na torre à direita, há uma estátua do deus Vishnu de 3,25 m de altura feita de um único bloco de arenito. Os oito braços de Vishnu estão segurando um bastão, uma lança, um disco e uma concha, entre outros objetos. Você também verá mexas de cabelo ao redor da estátua: são oferendas de jovens se preparando para casar e de outros peregrinos agradecendo à sua boa sorte.

A estátua de Vishnu, que atrai diversos peregrinos e oferendas
Foto por: rmnunes/iStock/ThinkStock

 

 

Avenida: a avenida tem 475 m de comprimento e 9,5 m de largura, e é margeada por balaustradas decoradas com deuses, levando da entrada principal ao centro do templo, passando por duas graciosas bibliotecas (a que fica mais a norte foi restaurada por uma equipe japonesa) e duas piscinas – a que fica mais a norte é recomendada como um bom ponto para assistir ao nascer do sol.

Complexo central: consiste em três andares, todos feitos de laterita, que formam um quadrado cercado por galerias intrincadamente interconectadas.  A Galeria dos Mil Budas (Preah Poan) costumava abrigar centenas de imagens do Buda antes da guerra, mas muitas foram removidas ou roubadas, deixando apenas algumas que vemos hoje.

Torres: dos cantos do segundo e do terceiro andares erguem-se torres, cada qual com um botão de flor-de-lótus na extremidade. A torre central ergue-se 31 m acima do terceiro andar e 55 m do chão, conferindo ao conjunto uma unidade sublime. 

Andar de cima: as escadas que levam ao andar superior são extremamente íngremes, porque chegar ao reino dos deuses não podia ser tarefa fácil. Também conhecido como Bakan, o andar de cima do Angkor Wat ficou fechado para visitantes por muitos anos, mas foi reaberto para um número limitado de pessoas por dia, controlado por um sistema de fila. Isso significa que é possível completar a peregrinação com a subida ao topo: saboreie a brisa, abra bem os olhos para as vastas vistas e encontre um cantinho calmo para contemplar a simetria e o simbolismo desse que é o Everest dos templos.

 

Interior do templo
Foto por: bruce0116/iStock/ThinkStock

 

Esta matéria é um trecho do guia Camboja da Lonely Planet.

Este artigo foi publicado em Janeiro de 2015 e foi atualizado em Janeiro de 2015.