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As melhores atrações gratuitas do mundo

Ciclistas em Copenhagen

Sarah Baxter


Parece bom demais para ser verdade – mas essas experiências de primeira não custam um centavo. De passeios de bicicleta a tours a pé, passando pela degustação de chá no Grand Bazaar de Istambul, chegar ao coração de um destino nunca foi tão gratificante e tão... de graça.

 

1. Ferry da Staten Island, Nova York, EUA

Para os cruzeiros, em geral, é preciso pagar. Tudo bem que esta travessia que dura 25 minutos não tem salão de coquetéis (embora o bar venda cerveja). Mas não custa um centavo. As ferries (ou balsas) têm conectado a Staten Island ao sul de Manhattan desde o século 18. Esses barcos cor de laranja tornaram-se ícones de Nova York; um deles, o Spirit of America, é feito com aço recuperado das Torres Gêmeas. E, embora não haja mais World Trade Center, a vista de Nova York – que vai diminuindo conforme você se afasta da baía, e vai aumentando no retorno – ainda é inspiradora.

 

As balsas funcionam 24 horas por dia, partindo de South Ferry, no Battery Park. Veja www.siferry.com.

 

2. Biciletas, Copenhagen, Dinamarca

Copenhagen é a capital de duas rodas do mundo: todos os dias, 37% dos habitantes locais pedalam até o trabalho, e há 390 km de ciclovias. Pensando bem, seria até mal-educado não acompanhar esse costume local – o que fica bem mais fácil com o Bycyklen, o sistema gratuito de magrelas da cidade. Estacionadas em vários pontos da parte central de Copenhagen, as belas bicicletas são a forma perfeita para explorar essa capital plana: você pode pedalar dos cafés que se enfileiram em frente ao porto até o point hippie Christiania, ou aos cafonas-mas-descolados Jardins Tivoli e na propriedade do Castelo Rosenborg, do século 17 – sem pagar por isso uma só krona (coroa).

Uma moeda de 20 coroas é necessária para liberar a bicicleta, mas ela é reembolsada quando você a devolve. As bicicletas ficam disponíveis de março ou abril a novembro; veja www.bycyklen.dk.

 

3. Tsim Sha Tsui, Hong Kong

São dois pelo preço de nenhum no Tsim Sha Tsui, na orla de Hong Kong. Este calçadão na ponta de Kowloon abraça o Porto Victoria; é lá que os shopping centers modernos encontram a antiga Torre do Relógio colonial, e onde a Star Ferry se descarrega. É lá, também, que, em três manhãs por semana, os gurus de t’ai chi Sr. Ng e Sra. Wu lideram sessões gratuitas dessa arte marcial meditativa, tendo ao fundo a paisagem distante de arranha-céus da Ilha de Hong Kong. Volte à noite para uma experiência menos sutil: Tsim Sha Tsui oferece os melhores lugares para assistir ao espetáculo Sinfonia de Luzes que solta faíscas e agita os ânimos.

 

As aulas de t’ai chi acontecem das 8 às 9h às segundas, quartas e sextas-feiras. O show de luzes começa diariamente às 20h. Veja www.discoverhongkong.com.

 

4. Tour a Pé, Reikjavik, Islândia

Ir para a Islândia não é barato. Apesar da crise conômica, esta ilha quase no Ártico vai testar seu saldo bancário. E é por isso que as atrações gratuitas ficam ainda mais interessantes – os Goecco’s Reykjavik Free Tours são singulares e fortes como uma dose de brennivín (a aguardente local – beba com moderação…). Esses passeios de duas horas, que passam por pontos secretos da capital, são guiados por “historiadores performáticos”. Você vai ver a arquitetura marítima, as fundações históricas, os bairros mais descolados e os melhores lugares para se banhar, além de conhecer histórias estranhas da Islândia – contadas com interpretações eufóricas, o que levanta um pouco o humor nessa misteriosa cidade.

 

Os tours saem da Praça Ingolfs às 13h de segunda a sábado, de 15 de maio a 1o de outubro. Veja www.goecco.com.

 

5. Chá, Grand Bazaar, Istambul, Turquia

Pirâmides de temperos emanam seus aromas fortes e armários de ouro brilham e reluzem. As lanternas balançam, as cerâmicas cambaleiam e os turistas se esbaldam – o Grand Bazaar de Istambul é a guerra-relâmpago do varejo, um verdadeiro labirinto que guarda uma infinidade de objetos. Passar pelas barracas é maravilhoso, mas exaustivo, assim como se livrar de um harém de ávidos lojistas. Então deixe-se levar pelo vendedor de tapetes com a melhor lábia e beba pequenos copos de chá de maçã enquanto vê as peças sendo enroladas e desenroladas de forma teatral e persuasiva. E a atração gratuita mais estilosa de Istambul – desde que o vendedor não seja convincente demias...

 

O Grand Bazaar abre das 9 às 19h de segunda a sábado. Pegue o bonde até Beyazit, Üniversite ou Sirkeci.

 

6. Te Papa Tongarewa, Wellington, Nova Zelândia

Veja a Nova Zelândia inteira sem pagar nada em Te Papa. Bem, quase isso – este grande prédio na orla de Wellington é o museu nacional do país, onde você verá sua arte e história e a cultura Maori explicada e celebrada. Como é abrangente, as preciosidades encontradas lá dentro são também muito ecléticas – de tacos de pounamu (uma pedra verde nativa) a kiwis empalhados, e de um par de préteses pernas para pedalar a uma pedra de 1,4 bilhões de anos. Para aprender mais sobre a cultura Maori, comece pela exibição Treaty of Waitangi, depois visite a marae, uma versão moderna da antiga casa de reuniões, feita para ser usada por todas as culturas.

 

Te Papa fica aberto diariamente, inclusive nos feriados nacionais, das 10 às 18h (até 21h às quintas-feiras). Veja www.tepapa.govt.nz.

 

7. Reichstag, Berlim, Alemanha

Ah, se esses muros falassem... eles provavelmente falariam de muros. E de incêndios, ataques aéreos, furor nazista e desonrosa decadência – o Parlamento Alemão viu tudo desde que começou a funcionar, em 1894. Mas, desde a queda da famosa barreira de concreto, o Reichstag ergueu-se com tanta força quanto a água na bandeira alemã. O arquiteto  Norman Foster idealizou uma ressurreição gloriosa, cobrindo o “novo” edifício com uma brilhante cúpula de vidro e aço, da qual se tem grandes vistas de Berlim. E o melhor de tudo? Um tour por toda essa história – que inclui o acesso ao domo panorâmico – é totalmente gratuito. 

 

Os tours pelo Reichstag devem ser reservados com antecedência; faça a reserva em www.bundestag.de.

 

8. Tokyo Metropolitan Government Building, Tóqui, Japão

Pode ser difícil entender Tóquio: é a cidade mais populosa do mundo, uma megalópole de mais de 30 milhões de pessoas que se apressam entre os cânions de arranha-céus. Então que tal olhar tudo isso lá de cima, a 202 m de altura, e de graça? O observatório do Metropolitan Government Building ergue-se em meio a Shinjuku, o bairro perfeito para comprar parafernália eletrônica e pular de bar em bar (o “Golden Gai” de Shinjuku reúne mais de 200 bares). Suba no elevador até o 45o andar do Observatório Norte para ver o caos urbano lá embaixo e, em dias claros, o distante Monte Fuji representando belamente a Mãe Natureza.

 

O Observatório Norte (North Observatory) tem um café e um bar e abre diariamente das 9h30 às 23h. Veja www.metro.tokyo.jp.

 

9. Concertos de Almoço na Royal Opera House, Londres, Inglaterra

Um bilhete de metrô pode custar uma pequena fortuna na capital britânica, mas é incrível o quanto se pode fazer nela sem pagar nada. Alguns dos melhores museus do mundo – como o História Natural, o Victoria & Albert e o Museu Britânico – exibem coleções fantásticas de graça. Mas, para um espetáculo ainda mais grandioso (e uma olhada no mundo tradicionalmente reservado aos ricos), siga para a Royal Opera House, em Covent Garden, na hora do almoço de segunda-feira. Esse teatro clássico, com arcadas na fachada, que foi finalizado em 1858, organiza recitais especiais, o que permite que pães-duros ouçam grandes pianistas e barítonos sem desembolsar um centavinho.

 

Algumas entradas podem ser reservadas on-line nove dias antes do concerto; outras são liberadas a partir das 10h do próprio dia. Veja www.roh.org.uk.

 

10. Louvre, Paris, France

O Museu do Louvre abriga, simplesmente, a maior coleção de arte jamais reunida, exibida em um edifício que é, ao mesmo tempo, um típico palácio parisiense e uma impressionante pirâmide de vidro. Há mais de 35 mil objetos neste armazém inigualável: de antiguidades egípcias a tesouros gregos, de badulaques persas a pinturas de séculos e mais séculos. Sua profundidade e variedade são de deixar qualquer um boquiaberto; o visitante realmente precisa de mais de um dia. Mas, caso você só tenha um dia mesmo para o Louvre, escolha o certo: no primeiro domingo de cada mês, a entrada é gratuita – o que faz até a Mona Lisa, que mora lá dentro, abrir um sorrisão.

 

O Louvre fica aberto diariamente, exceto às terças-feiras, das 9 às 18h (até 22h às quartas e sextas-feiras); o ingresso custa 10 euros. Veja www.louvre.fr.

Este artigo foi publicado em Setembro de 2012 e foi atualizado em Novembro de 2014.