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Passeios de um dia a partir de Roma

Escultura de máscara em Ostia-Antica

Quando em Roma, também saia de Roma! Listamos alguns locais incríveis que você pode visitar a partir de Roma sem gastar muito tempo na estrada. Locais preservados que rivalizam com as ruínas de Pompeia, atrações tombadas pela Unesco, refúgios naturais...

Ostia Antica

O ideal é reservar um dia ou um pouco mais para conhecer as impressionantes ruínas de Ostia Antica. Até 42 d.C., essa antiga cidade romana foi um agitado porto, e as ruínas são imponentes e bem conservadas. A via principal, Decumanus Maximus, estende-se por mais de 1km a partir da entrada da cidade (Porta Romana) até a Porta Marina, que originalmente conduzia ao mar, e ainda é a artéria mais usada. Nos fins de semana a cidade lota, por isso prefira vir aqui em dias de semana.

O que visitar: Ruínas

As ruínas de Ostia-Antica guardam muita história
Foto por: Zummolo/iStock/ThinkStock

 

Ostia foi um porto de grande atividade até entrar em decadência, no século 3º d.C., e reunia restaurantes, lavanderias, lojas, residências e locais de convívio social. Boa parte dessas edificações pode ser identificada em um passeio pelas ruínas, que permite ter uma ideia da vida na cidade. Nos dois lados da via principal da cidade, Decumanus Maximus, uma rede de estreitas ruas acompanha as construções.

Em uma parte, Ostia exibe vinte complexos de termas, entre elas a Terme di Foro – algumas equipadas com toaletes de pedra (chamadas de forica), que sobreviveram quase intactas. Alguns pinos pivotantes mostram que as portas eram giratórias, e vinte assentos de mármore permanecem intactos. A água corria por canais próximos aos assentos para permitir a higiene. O mosaico mais impressionante está na imensa Terme di Nettuno, que ocupava todo um quarteirão e remonta à época em que Adriano recuperou o porto. Não deixe de subir na plataforma e observar os três enormes mosaicos instalados aqui, entre eles o que mostra Netuno conduzindo sua carruagem, cercado de monstros, sereias e tritões. No ambiente ao lado vê-se o mosaico com Anfitrite, esposa de Netuno, sobre um cavalo-marinho e acompanhada de Himeneu (deus grego do casamento) e de alguns tritões. No centro do complexo de termas estão os vestígios de um amplo pátio com arcos chamado Palestra, usado para o treinamento dos atletas (um mosaico retrata cenas de lutas).

Perto das termas de Netuno ergue-se o grandioso anfiteatro, construído por Agripa e ampliado para acomodar 4 mil pessoas. Ainda pode-se notar o estuque do saguão de entrada. No passado, a área da orquestra podia ficar submersa para a apresentação de alguns espetáculos. Quem sobe até o alto da construção e observa o local tem uma ideia da disposição original do porto e de seu funcionamento. Atrás do anfiteatro está a Piazzale delle Corporazioni (Fórum das Corporações), local de reunião das corporações de Ostia, que exibe preservados mosaicos com cenas dos diversos interesses de cada atividade, como os mercadores e navegadores. Entre as imagens, golfinhos, navios, o farol de Portus (povoado das proximidades) e o comércio de grãos. Os símbolos indicam a natureza internacional da atividade de Ostia – nas paredes da cidade foram descobertas inscrições tanto em grego como em latim. O Forum, principal praça da cidade, destaca-se pela presença do imenso Capitolium, templo erguido por Adriano e dedicado às principais divindades romanas, a chamada tríade capitolina (Júpiter, Juno e Minerva). O visitante está perto de outro destaque: o Thermopolium, antepassado dos modernos cafés. Observe o balcão e o cardápio confeccionado com afrescos, a cozinha e o pequeno pátio, onde os clientes se acomodavam perto de uma fonte e saboreavam seus drinques. O local inclui um bar e um café modernos, mas pense na possibilidade de fazer um piquenique. O museu exibe estátuas e sarcófagos extraídos das ruínas.

 

Tivoli

Durante milênios, a cidade de Tivoli funcionou como um refúgio de verão para os romanos ricos, como se pode ver pelas duas atrações tombadas pela Unesco – ambas luxuosas áreas de lazer. A villa Adriana era o impressionante palácio do imperador Adriano, enquanto a villa d’Este, do século 16, é uma joia renascentista. Se quiser visitar ambos no mesmo dia, comece cedo.

O que visitar: Villa Gregoriana

Silhueta de um templo na villa Gregoriana
Foto por: liberowolf/iStock/ThinkStock

 

Em 1826, uma terrível inundação no rio Aniene provocou a destruição de diversas casas. Em consequência, o papa Gregório XVI mandou canalizar as águas por um longo túnel, o que resultou em uma magnífica cascata após um desfiladeiro íngreme, com cerca de 120m de altura, conhecida como Cascata Grande. Os arquitetos aproveitaram o antigo leito do rio, o desfiladeiro, a densa vegetação da área, as diversas cavernas, as ravinas e os fragmentos arqueológicos para criar o parque da villa Gregoriana.

 

Castelli Romani

A cerca de 20km ao sul de Roma, as Colli Albani (colinas albanas) e as treze cidades que as cercam são chamadas de Castelli Romani. Durante milênios, foram o refúgio dos romanos sobretudo no verão – e muitos ainda escapam para cá, em geral para descansar, passear, comer e tomar o famoso vinho branco. As cidades mais famosas são Castel Gandolfo, refúgio de verão do Papa; Frascati, célebre pelos vinhos; Nemi, instalada perto do lago e com um bom museu de embarcações; e Grottaferrata, onde há uma linda abadia. As outras cidades são Monte Porzio Catone, Montecompatri, Rocca Priora, Colonna, Rocca di Papa, Marino, Albano Laziale, Ariccia e Genzano.

O que visitar: Nemi

Não perca o pôr do sol no lago Nemi!
Foto por: Fabrizio Gattuso/Hemera/ThinkStock

 

A cidade de Nemi está instalada sobre o Lago di Nemi, o menor dos dois lagos vulcânicos de Castelli Romani. Nos tempos antigos, essa região era o centro de um culto à deusa Diana e refúgio de férias apreciado por Calígula. Ainda hoje funciona como local de descanso para os romanos, que vêm aqui sobretudo na época da colheita dos famosos morangos (início do verão). A cidade acomoda o pequeno e ótimo Museo delle Navi Romani), instalado às margens do lago. A instituição foi criada por Mussolini para acomodar dois barcos romanos muito bem preservados, originais do reinado de Calígula, descobertos e retirados do lago em 1932. As duas embarcações foram destruídas pelo fogo em 1944, e o que os visitantes veem hoje são réplicas.

 

Cerveteri

Nas proximidades de Roma situa-se um impressionante complexo etrusco tombado pela Unesco, uma incrível necrópole que parece uma “cidade dos mortos” cortada por diversas ruas. Dedique uma manhã para percorrer a paisagem que lembra a saga O senhor do anéis (não se assuste se aparecer algum hobbit) e almoce em Cerveteri antes de encerrar o dia com uma visita ao Museu Etrusco.

O que visitar: Necropoli di Banditaccia

O visitante pode optar pelo micro-ônibus que parte do posto de informações turísticas a cada hora com destino à necrópole, conjunto de túmulos situados a 2km da cidade. Há nove partidas por dia, entre 8h30 e 17h. O trajeto dura 5 minutos e custa €1. Se quiser ir a pé, basta andar cerca de 15 minutos por uma via bem sinalizada. Com 10 hectares, a necrópole pode ser definida como uma cidade dos mortos, repleta de ruas, pequenas praças e até bairros.

Há vários tipos de câmaras mortuárias: algumas são cavidades feitas na rocha, enquanto outras, de construção similar, apresentam a forma de cabanas ou de casas. A edificação mais comum são os tumulus, estruturas circulares abertas na terra e cobertas de relva. Essas construções são os únicos exemplos da arquitetura residencial etrusca que chegou aos nossos dias. Pouca coisa mudou desde que o escritor D. H. Lawrence visitou e descreveu os túmulos na obra Lugares etruscos (1932): “Surpreendentemente, essas casas de mortos são grandes e bonitas. Escavadas na rocha, parecem casas. O teto exibe uma viga para imitar a estrutura que cobre as casas. É uma casa, um lar”. Placas apontam o caminho e a localização dos túmulos principais, como a Tomba dei Rilievi (Túmulo dos Relevos), do século 6º a.C., decorada com lindos entalhes ainda vistosos. Entre as imagens, itens do mundo dos mortos e também dos vivos, como utensílios de cozinha, machado, facas e ânforas.

 

Viterbo

Panorama a partir da ponte de Civita di Bagnoregio, em Viterbo
Foto por: Buffy1982/iStock/ThinkStock

 

Viterbo constitui uma boa base para explorar o acidentado norte do Lácio, mas também pode ser visitada em um dia – há várias atrações na cidade, que abriga um centro storico compacto e agradável para percorrer a pé. Vale a pena reservar um dia para explorar a cidade e mais um período para algumas atrações próximas, como as termas de água quente ou o lindo Lago Bolsena.

O que visitar

Piazza San Lorenzo

Para ter uma ideia da riqueza que havia em Viterbo, não deixe de conhecer a Piazza San Lorenzo, centro religioso dessa cidade medieval. Os cardeais vinham rezar e escolher o novo Papa na Cattedrale di San Lorenzo, do século 12. Erguida com inspiração românica, deve o atual visual gótico a uma reforma ocorrida no século 14. O teto passou por reconstrução depois dos bombardeios dos Aliados, na II Guerra Mundial.

 

Esta matéria faz parte do guia Roma, da Lonely Planet. Confira também nossos guias Itália, Florença e Toscana e Veneza e o Vêneto para uma experiência completíssima da Itália!

Este artigo foi publicado em Abril de 2015 e foi atualizado em Abril de 2015.