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5 atividades para quem está em busca de aventuras

Trilha John Muir

De uma hora para outra, em nossos momentos de lazer, passamos a querer mais do que sentar na praia e ler um livro – desejamos algo sobre o que possamos falar depois, uma experiência que transforme férias de uma semana em uma viagem inesquecível. As dicas abaixo são algumas das maiores aventuras do mundo, todas repletas de desafios e descobertas. Inspire-se para sua próxima viagem!

 

Trilha de John Muir pela Califórnia

Devemos muito a John Muir: inventor, conservacionista, escritor, andarilho (e um dos homens mais importantes do último milênio). É justo, portanto, que essa caminhada de 344 quilômetros pelas montanhas de Serra Nevada – desde o vale de Yosemite até os o 4.421 metros do monte Whitney –, adoradas por Muir, leve o seu nome. A trilha John Muir Trail (JMT) era protegida pelo Sierra Club, uma organização ambiental fundada por ele – a construção teve início em 1914, o ano em que Muir morreu. A rota só foi concluída em 1938 e atravessa rios, infiltra-se por florestas e supera desfiladeiros a grandes altitudes. Ela é o acesso definitivo à terra que Muir tanto amava.

Há vários altos e baixos – caminhe a rota completa, de norte a sul, e o número de subidas totaliza 12.800 metros; de sul a norte, 14.234 metros. Mas, apesar disso, é uma trilha pouco árdua – os desníveis são, em sua maioria, suaves. A parte mais difícil é ser autossuficiente. Não existem cidades ou lojas no trajeto, e os caminhantes têm de carregar tudo de que precisam, o que significa semanas de comida desidratada e mingaus aguados.

Mas o deslumbramento causado pela trilha compensa a fadiga culinária. Essa é uma área rural magnífica, onde cada passo traz recompensas, como vales povoados por veados ou cordilheiras refletidas em lagos; cada noite passada no acampamento o faz sentir como um pioneiro.

 

Trilha de Milford, Nova Zelândia

Foto por: ©Pete Seaward/Lonely Planet

 

Todos os dias, ônibus, carros e aviões lotados se insinuam pelas montanhas do Parque Nacional Fiordland para visitar a beleza de cartão-postal do fiorde de Milford Sound, que antigamente era acessível apenas a pé.

Chamada de “a melhor caminhada do mundo” pela revista London Spectator em 1908, a trilha de 53,5 quilômetros ganhou tamanha popularidade desde então que o acesso hoje é rigorosamente regulamentado. Durante a alta temporada, que vai de outubro a abril, apenas quarenta pessoas por dia podem iniciar a trilha. Você poderá caminhar seguindo uma única direção – do lago Te Anau ao Milford Sound – e terá de seguir um roteiro fixo, hospedando-se nos abrigos designados para cada noite.

A paisagem que você irá conhecer transcenderá todas as regras. Do lago Te Anau, a trilha se afunila pelo Clinton Valley, com os paredões marcados por glaciares que se estreitam e que deixam não muito mais do que uma fissura para a passagem. Dali, ela sobe até a crista da Mackinnon Pass, com uma ventosa intensa. A descida segue a nascente do rio Arthur, passando pelos 580 metros de altura das Sutherland Falls, a maior cachoeira da Nova Zelândia, e uma série de outras encravadas na floresta tropical. A caminhada de quatro dias acaba em Sandfly Point, às margens do Milford Sound.

 

Escalada no gelo em Banff, Canadá

Foto por: ©Fan Chen/500px

 

Banff, uma verdejante vila de montanha no Canadá, é considerada como o melhor destino do mundo para escalar cachoeiras congeladas. As escaladas no gelo são tão importantes que o albergue da juventude de Banff até organiza uma escalada em um paredão de doze metros todos os invernos.

As oportunidades de escalada na região parecem infinitas, com trilhas no gelo próximas a Canmore, Lake Louise, Parque Nacional de Yoho, Icefi elds Parkway e Kananaskis Country. Você pode até escalar as cachoeiras do famoso Johnston Canyon, uma das belezas turísticas do Parque Nacional de Banff. Há gelo em Banff para atender a todas as habilidades, da escalada infantil de Junkyards, próxima a Canmore, ao famoso Polar Circus, uma escalada de setecentos metros com nove etapas, sobre uma camada de gelo vertical de cem metros – é uma das mais celebradas rotas no gelo do mundo.

Escaladas no gelo não são tão difíceis quanto parecem. Enquanto escaladores de rochas são forçados a procurar fendas para encaixar mãos e pés, os do gelo sobem em linha reta. Os equipamentos necessários para isso são um par de machadinhas e um conjunto de grampos para colocar nas solas das botas. Fincar a machadinha no gelo dá suporte para o próximo passo, assim como os dentes de metal nos pés – passo a passo, até chegar ao topo de uma cachoeira, onde a missão é finalmente cumprida.

 

Trilha a camelo no Wadi Rum

Foto por: ©Tom Mackie/Lonely Planet

 

Composto por uma série de vales incrustados entre imponentes formações de granito e arenito, no extremo sul da Jordânia, o Wadi Rum tem uma vasta beleza natural que é capaz de enfeitiçar. Some a isso a romântica vida nômade dos beduínos que vivem ali e você terá uma aventura singularmente atraente.

O wadi (vale em árabe) há muito tem atraído visitantes ao seu árido terreno. Escaladores também se aventuram por ali, pelos penhascos; trilheiros sobem as suas montanhas rochosas e os seus arcos naturais; há quem cruze o deserto em carros 4×4. Mas, para de fato sentir o coração desse lugar, é preciso passar algum tempo ali, acampando sob os céus limpos, encantando-se com o pôr do sol alaranjado e conhecendo os seus habitantes. E a melhor maneira de viajar é como os beduínos fazem – nas costas ondulosas de um camelo.

Trilhas a camelo pelo Wadi Rum são uma superaventura. Permitem que você alcance pontos remotos, mas não é preciso estar completamente em forma. Uma trilha dura algumas horas nas costas de um camelo, ou você pode ser mais ambicioso e embarcar em uma expedição de vários dias. De toda forma, guias hospitaleiros tomarão conta de você e, com toda a logística programada, tudo que você precisa fazer é conduzir o seu animal pelo esplendor natural do deserto.

Há, ainda, a dimensão cultural da travessia do Wadi Rum. Opte pela companhia dos beduínos: apenas eles conhecem o wadi de verdade. Eles mostrarão a vastidão magnífica do seu território e tratarão você com impressionante generosidade. Nessa cultura, a hospitalidade é tão valiosa quanto a honra. Você será convidado a se hospedar nos acampamentos, será cumprimentado com alegria e sorrisos mil. Beberá o chá doce e picante, participará de banquetes beduínos e ouvirá histórias da vida no deserto ao redor da fogueira antes de ir dormir em suas tradicionais barracas de pele de cabra sob um céu forrado de estrelas brilhantes.

 

Remo no Tâmisa

Foto por: ©James Bedford/Lonely Planet

 

O majestoso Tâmisa – com seus vinte afluentes, mais de oitenta ilhas e uma abundância razoável de animais silvestres – é o mais longo curso d’água da Inglaterra. Uma jornada por todo o seu comprimento é como assistir a um filme de história na “tela” de suas duas margens, bem diante dos seus olhos – uma verdadeira mostra a céu aberto da evolução arquitetônica da cidade.

Não se trata apenas de serenidade, porém. A aventura pode deixar você bem dolorido – e, nesse caso, o culpado pode ser o antigo comediante Jerome K. Jerome. Foi o seu Three Men in a Boat (not forgetting the dog), algo como “Três Homens em um Barco (sem esquecer o cachorro)”, uma espécie de guia de viagem transformado depois em relato autobiográfico, de 1889, que incentivou os ingleses a saírem navegando pelo Tâmisa. Talvez venha daí, também, a tradição de remar em vez de passar “voando” pelo rio com uma lancha.

A escolha de esquife feita por Jerome para remar no Tâmisa continua sendo a mais adotada pelos remadores. Essas pequenas embarcações de madeira, com cerca de oito metros de comprimento, possuem uma cobertura de tela que pode transformá-las em uma barraca flutuante para dormir à noite, atracadas à margem do rio. Há séculos esse tipo de barco tem percorrido essas águas, e muitas empresas o alugam. O caiaque é uma alternativa que também tem crescido, embora escape à tradição (além de ser bem desconfortável para um cachorro), mas não deixa de ser uma ótima aventura.

O outro ingrediente essencial para essa jornada é um amigo, já que você precisará de alguém para remar com você. Uma vez conquistada essa parceria, é hora de decidir qual será o ponto de partida. Oxford talvez seja a opção mais romântica, ou talvez você prefira remar ao longo de todo o rio – nesse caso, você partirá de Lechlade, em Gloucestershire, a cerca de 340 quilômetros de Westminster.

 

Esta matéria faz parte do livro Grandes Aventuras, da Lonely Planet

Este artigo foi publicado em Novembro de 2015 e foi atualizado em Novembro de 2015.