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Explorando o leste de Tenerife, capital das Ilhas Canárias

Costa Leste de Tenerife

Josephine Quintero

Tenerife possui uma história e uma cultura fascinantes que podem ficar opacos diante da publicidade reluzente que se concentra no sol, na areia e nos resorts do sul da ilha. Pois siga para o leste e encontre uma mistura irresistível de vilas de pescadores, florestas virgens e praias intocadas e até uma colônia de leprosos abandonada.

Vilarejos da costa leste

Viajando no sentido leste partindo dos resorts, mais ou menos na altura da Playa de las Américas, o primeiro indicativo de um balneário mais discreto e pitoresco é El Médano. Há um toque de juventude aqui, e não faltam esportes aquáticos que atraem tanto os locais quanto os turistas – as velas de windsurfe e kite surfe flutuam sobre o mar como borboletas multicoloridas. Esse trecho de areia também é a melhor praia natural da ilha, dividida em duas por um cone vulcânico. Toda a atmosfera é relaxada, com ruazinhas perfeitas para pedestres, forradas de bares e restaurantes alegres e baratos – e nenhuma casa de karaokê a vista.

Uma curta caminhada de 15 minutos na direção norte leva ao vilarejo pesqueiro de Abades, ao qual os habitantes locais bem informados vão praticar modalidades de mergulho, como scuba e snorkel. A cidadezinha tem uma série de construções, entre as quais uma igreja, que foram erguidas como uma colônia de leprosos durante a Guerra Civil Espanhola. Hoje, embora vazias e dilapidadas, elas servem de lembrança da época na qual a doença era devastadora e podem ser exploradas livremente.

Seguindo para o norte de novo, você chegará à extraordinária Candelaria, intocada por turistas apesar de ser considerada a Lourdes das Ilhas Canárias. Essa cidade cheia de personalidade e de vida, particularmente aos domingos, quando os peregrinos vêm visitar a grandiosa Basílica de Nuestra Señora de Candelaria, onde está a estátua da Virgen de la Candelaria, a santa padroeira de todo o arquipélago. Em 1392, essa estátua apareceu na praia e foi levada para o rei local da tribo Guanche, que passou a adorá-la. Quando os espanhóis conquistaram a ilha um século depois, eles julgaram a estátua milagrosa e a idolatram até hoje, particularmente em 15 de agosto, o suposto dia de sua descoberta. A cidade também possui um charmoso museu de cerâmica tradicional, além de várias lojas que vendem ícones religiosos e restaurantes de frutos do mar que atendem à exigente clientela local.

Capital cultural

(Foto: Getty Images/ Lonely Planet)

Os pontos altos culturais concentram-se na capital da ilha, Santa Cruz de Tenerife, mas que, ainda assim, é uma cidade com frequência negligenciada pelos turistas. Primeira e principalmente, Santa Cruz é uma genuína cidade espanhola voltada para o trabalho. As lojas aqui apresentam uma peculiar combinação de estabelecimentos administrados por famílias, butiques descoladas e redes espanholas. Restaurantes, igualmente, variam entre bares de tapas estilosos e tascas rústicas, além de algumas opções singulares, como um antigo bordel histórico, La Hierbita, que data de 1893 e se especializa agora em culinária contemporânea baseada em clássicos das Canárias. A cidade é também habitada por muitos museus e galerias admiráveis – para ter uma ideia da riqueza artística local, basta andar pelas ruas: em 1974, Santa Cruz abrigou uma exposição de esculturas com obras de mestres como Henry Moore e Joan Miró, que ainda podem ser apreciadas no centro histórico.

Fãs de arte também devem conferir o extraordinário Tenerife Espacio de las Artes, que contribuiu muito para a importância de Santa Cruz como capital cultural. Entre as exposições permanentes, há obras do artista local Óscar Domínguez, considerado o terceiro maior surrealista da Espanha, depois de Miró e Dalí. O edifício é lindo também – assinado pelos mesmos arquitetos suíços responsáveis pela Tate Modern de Londres.

A alguns passos dali fica a grande atração da cidade, o Museo de la Naturaleza y el Hombre, um museu de ciências e arqueologia. Entre outras, há uma exposição sobre o estilo de vida da cultura indígena de Guanches, que inclui múmias bem preservadas descobertas em cavernas na ilha.

Ali perto, em La Laguna, você pode explorar a história fascinante de Tenerife mais a fundo no excelente Museo de la Historia de Tenerife, onde se aprende, por exemplo, por que a música local tem um ritmo tão distintamente latino; não há uma só família por aqui que não tenha um parente distante na América do Sul, graças ao período de emigração em massa em seu passado de pobreza não tão distante.

E, finalmente, na capital há ainda o evocativo Auditorio de Tenerife, outro exemplo da arquitetura contemporânea poderosa que se destaca na cidade tanto pelo design quanto pela programação robusta do ano inteiro, com óperas e concertos de primeira.

Saboreando frutos do mar com os locais

Continuando a sua jornada na direção nordeste, tente planejar a viagem para coincidir com a hora perfeita para uma refeição de frutos do mar na Cofradía de Pescadores. À beira das areias douradas da Playa de las Teresitas, a 6 km a nordeste de Santa Cruz, na pequenina vila de pescadores de San Andres, esse lugar administrado pelos pescadores locais tem frutos do mar fresquinhos – aliás, mais frescos, impossível.

Tenerife selvagem

Para além de Santa Cruz, na ponta nordeste da ilha, fica o escarpado Maciço de Anaga, o mais distante possível dos ônibus turísticos e da farra dos resorts litorâneos, literal e figurativamente. Lar de desfiladeiros íngremes, florestas nebulosas e pináculos rochosos, essa é uma região tentadora para se explorar, com pequenos povoados para se descobrir, como o pitoresco Afur. Apenas 15 residentes chamam esse lugar de lar, e há apenas uma loja-bar, uma bagunça fascinante de prateleiras empoeiradas, onde o proprietário idoso, José, oferece a você uma taça de seu vinho caseiro – e bebível – por apenas 1 euro (e tentará vender uma garrafa por apenas alguns euros a mais).

Há outros vilarejos igualmente atraentes incrustados nas fendas das encostas. Charmorga, aninhado em um vale repleto de palmas, possui um café-restaurante, o Bar Casa Alvaro, que serve um saboroso conejo con salmoreja (ensopado de coelho), um prato típico desse canto do mundo, onde todas as famílias parecem ter cães de caça e tapetes de ervas silvestres, tais como alecrim e tomilho, que forram as colinas.

Anaga também deve ser o melhor lugar da ilha inteira para fazer caminhadas, pois a região toda é cortada por trilhas. Você pode pegar mapas detalhados no Centro de Visitantes (Cruz de Carmen; 9h30-16h), onde também há um café, um centro de exposições que aborda a flora e a fauna locais e, supreendentemente, uma linda capelinha. 

Este artigo foi publicado em Junho de 2016 e foi atualizado em Junho de 2016.