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O legado turístico dos Jogos Olímpicos

Jogos Olimpícos

Hoje, muito se discute sobre o legado que as Olimpíadas no Brasil podem deixar, especialmente no Rio de Janeiro, cidade sede. Sendo a favor ou não da realização do evento no país, é inegável que um evento desse porte fomente diversos aspectos sócio econômicos no país, movimentando também as relações turísticas de toda a região, claro.

Segundo alguns políticos e profissionais diretamente envolvidos, o Estádio Olímpico de Montreal – também conhecido como Big O - custou uma verdadeira fortuna aos cofres públicos do país em 1976, ano em que a cidade foi sede dos Jogos Olímpicos, o que gerou muita discussão a respeito da necessidade da realização do evento no país. Segundo um dos membros do Comitê Olímpico Internacional da época, o gigantesco estádio custou, na época, mais que todos os estádios cobertos da América do Norte juntos.

Por outro lado, de acordo com estudos canadenses, observou-se um aumento expressivo de atletas e cidadãos ativamente envolvidos com esportes nos anos seguintes à realização do evento no país. Ou seja, de uma maneira ou de outra, as Olimpíadas trouxeram resultados práticos para os residentes no Canadá.

(Foto: Peter Burgess/Flickr | Creative Commons)

Em 2012 a cidade de Londres sediou os Jogos Olímpicos e, de acordo com o governo inglês, com os gastos dos visitantes estrangeiros em toda a região, foi possível registrar um aumento de US$ 750 milhões de dólares para a economia local durante a realização dos Jogos. Além disso, Maria Miller, ex-secretária da Cultura de Londres, disse na época que há um plano do governo para que o país consiga aproveitar turisticamente o embalo das Olímpiadas até o ano de 2022.

Especialistas ingleses, incluindo alguns executivos da Visit Britain, órgão que promove o destino pelo mundo afora, sempre alertaram que o retorno turístico sob as Olimpíadas viria com uma maior força após a realização do evento, afinal, a mídia estaria expondo Londres para bilhões de pessoas durante um mês, initerruptamente, e Londres se tornaria um dos prováveis destinos para todo o mundo. A previsão, ainda de acordo com o governo inglês, é que o turismo local cresça na ordem de 3% ao ano, até 2020, quando deverão receber aproximadamente 40 milhões de visitantes por ano.

A TfL - Transport For London, empresa que gerencia o transporte público de Londres, investiu cerca de US$ 8 milhões de dólares para os jogos de 2012 e, durante o evento, transportou mais de 101 milhões de pessoas, aumento de 28% sob o maior volume já transportado pela companhia.

A cidade de Barcelona, que sediou a Copa do Mundo em 1982 e os Jogos Olímpicos de 1992 também soube aproveitar o turismo de forma eficiente, especialmente sob o ponto de vista das redes hoteleiras. De acordo com estudos de projeção publicados em 2002, portanto, 10 anos após a realização das Olimpíadas de Barcelona, haveria um aumento de 150% na quantidade de hotéis na cidade entre 1990 e 2004.

Outro ponto importante para levarmos em consideração quando falamos de Barcelona, foi a forma com que conseguiram promover o destino como um local para business, ou seja, aproveitando a evidência da cidade com os eventos esportivos, Barcelona realizou centenas de eventos corporativos, trazendo um público que até então era escasso.

(Foto; Lonely Planet/Getty Images)

Para termos uma base de comparação, em 2014, ano em que o Brasil foi anfitriã da Copa do Mundo, o país recebeu “apenas” 6.4 milhões de turistas, ou seja, ainda há muito o que explorar no turismo nacional. Outro ponto extremamente relevante e que pode contar como fator positivo é a atual desvalorização do real, o que torna a maioria das moedas do mundo mais valiosas e, portanto, fazendo com que o Brasil seja um país barato para se visitar, seja para as acomodações, transporte ou alimentação. Atualmente a maioria dos nossos turistas são argentinos, seguido de americanos, chilenos e paraguaios, ou seja, a esmagadora maioria de países vizinhos ao nosso.

Segundo José Antônio Parente, representante da Embratur, o Brasil conta com a expectativa de receber até 500 mil turistas internacionais a mais do que o país recebe em sua média no período, desses, 25 mil são jornalistas de todas as partes do mundo. Além disso, a estratégia de isenção de visto para países como Estados Unidos, Austrália, Japão e Canadá, deve intensificar o turismo no país durante os Jogos Olímpicos.
Diante de todos esses pontos, podemos concluir que o Brasil terá, em poucas semanas, uma excelente oportunidade para mostrar o seu potencial e aproveitar a alta demanda turística que receberemos.

Torçamos para que todos visitantes possam desfrutar o Brasil da melhor forma possível, curtindo nossas praias, experimentando nossa culinária excepcional e se divertir com alegria sem igual do nosso povo.

Artigo escrito por Marcel Bruzadin do blog Viagens Incríveis.

Este artigo foi publicado em Julho de 2016 e foi atualizado em Julho de 2016.