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Dominica: o destino mais barato do Caribe

Victoria Falls

Autoproclamada a ilha nativa do Caribe, florestas de samambaia e coqueiros de tocar o céu se unem às montanhas impenetráveis de Dominica. Em 2015, um construtor deu início ao que se tornará o primeiro resort da ilha, mas por ora Dominica está se afirmando como a joia alternativa da vistosa coroa do Caribe; um lugar onde pousadas rústicas predominam, o ponche de rum é farto e barato e viajantes podem comer vários tipos de comidinhas de rua.

Aqui estão as nossas dicas para realizar uma aventura caribenha perfeita que não vai abrir um rombo na sua carteira.

Caminhe, nade e fique boquiaberto com a Mãe Natureza

Diz o ditado que as melhores coisas da vida são de graça, e em Dominica isso é quase verdade. Por escassíssimos R$39, você consegue um passe semanal para muitas das atrações principais da ilha. Todo parque nacional administrado pelo governo está incluído no bilhete; isso quer dizer que a célebre Piscina Esmeralda de Dominica (e o Parque Nacional Morne Trois Pitons da lista da Unesco, no qual ela fica), o Titou Gorge – que dá para atravessar a nado –  as idênticas Cataratas Trafalgar, a fortaleza histórica do Parque Nacional Cabrits e as atmosféricas hidrovias de Indian River são todos acessíveis por um preço muito baixo, se você tiver seu próprio veículo. Uma notícia ainda melhor é que muitos deles são fáceis de explorar sem guia (mas certifique-se de verificar orientações dos postos e dos guardas da Divisão de Parques Nacionais).

Tome café da manhã com os moradores locais

Nas manhãs de domingo, residentes de Roseau podem ser encontrados à beira da estrada em Fond Cole, logo ao norte da capital. Esqueça a comida de rua gourmet. Uma chef habilidosa sova com destreza a massa para fazer bakes (pães fritos parecidos com um donut), enquanto seu companheiro derrama chá quente de cacau em xícaras de isopor. A estrela do espetáculo é uma salada de peixe incrivelmente fresco de pepino e dourada, pescada nas praias de Dominica e infundidas com alecrim. Este banquete vai lhe custar menos de EC$15 (cerca de R$20).

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Recife Champagne para snorkel


(Foto:© Reinhard Dirscherl / Getty Images)

A melhor maneira de baixar o custo de um passeio de snorkel no Caribe é deixar de lado o barco. Por sorte, em Dominica isso é possível porque o circo subaquático se encontra logo ao lado da praia no Recife Champagne – assim chamado por conta de um fenômeno natural que faz com que o ar vulcânico retido borbulhe do fundo do mar como bolhas de champanhe. Mergulhadores (com snorkel e com cilindro) vão direto para a praia a fim de encontrar lagosta, peixe-papagaio, peixe-corneta, tartarugas de pente e mais; um passeio de snorkel de 1h30, com a Mergulho do Recife Champagne & Snorkel custa R$60, enquanto que um mergulho com cilindro vai lhe custar R$196.

Visite o Jerk Shack

Moradores ficaram contentes quando o I Cho Jerk Shack & Bar, devastado pela tempestade tropical Erika, ressurgiu das cinzas apenas um mês depois. Foi um feito notável, considerando que tudo foi inundado – exceto o local à beira da estrada logo ao norte do Aeroporto de Canefield – e moradores se apressaram em erguer os restos do Jerk de novo. É um negócio simples, com mesas de piquenique rústicas de madeira, um bar na área externa e um projetor que exibe filmes à noite. Mas o suculento defumado – esfregado com pimento-da-jamaica, canela, noz-moscada, cebola-verde, cebolinha, tomilho, vinagre, alho e pimenta – tem um sabor divinamente complexo e custa uma pechincha: de R$4,80.

Fique no Hibiscus Valley Inn

A campestre Hibiscus Valley Inn seria um deleite em qualquer lugar dos trópicos, mas no Caribe é um prazer explícito: barato, acolhedor e em sintonia com seus arredores naturais e culturais, é o tipo de lugar em que os proprietários colecionam infusões nativas de rum, defendem a cerveja dominicana familiar e vão, com alegria, estimular os hóspedes a ir às aldeias vizinhas aos fins de semana, para jogos de dominó ou danças típicas.

Há três categorias de acomodações para escolher, incluindo suítes básicas (a partir de R$126), lindos chalés rústicos de madeira (a partir de R$172) e um quarto todo equipado e com cinco camas, ideal para famílias (R$375), com localização espetacular no meio da floresta tropical. Além disso, há um novo bar na orla e um lugar para fazer fogueira.

Como muitas acomodações pela ilha, Hibiscus está localizada muito próximo à fronteira de um dos trechos da Trilha Nacional Waitukubuli  – excelente trilha para caminhadas de longa distância em Dominica, que atravessa a ilha de leste a oeste. Hospede-se aqui e comece a trilha a partir de sua porta, economizando alguns custos do transporte referentes a algumas partes da caminhada na trilha.

Relaxe no Spa Bubble Beach

(Foto: © Paul Zizka / Getty Images)

Fundado em uma área da praia em Soufriere pelo morador Dale Mitchell, o spa conta com piscinas térmicas naturais à beira-mar com água aquecida pela mesma pressão vulcânica que formam as bolhas no Recife Champagne. Que tal assistir ao pôr-do-sol com um coquetel ao som de soca ou fazer um churrasco à beira-mar no fim de semana? Um jantar com frango e ponche de rum vai lhe custar EC$13-14, enquanto que as piscinas e a vista são gratuitas.

Piquenique em Kalinago Barana Autê

Dominica é exclusiva em termos de ser lar da única população remanescente de Índios Carib do Caribe – os povos indígenas da ilha que foram todos exterminados pelos colonizadores espanhóis e comerciantes de escravos no fim do século 16. Em 1903, uma faixa de 3.700 acres de terra à margem da costa leste foi transferida aos Kalinago (termo local preferível para os Caribs) a fim de preservar sua cultura. É possível conhecer mais sobre seu estilo tradicional de vida em Kalinago Barana Autê – uma aldeia-modelo mediana, mas também um lugar onde o povo Kalinago ainda vem para se encontrar, passear e lavar roupas.

Antes do passeio (R$31), pegue um pão casabe (R$6) de uma padaria à beira da estrada para almoçar barato na bacia do Barana Autê, onde uma mesa de piquenique e uma rede observam do alto uma tranquila piscina natural que escoa de um rochedo exuberante para vistas espetaculares do mar.

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Almoce na ‘rotatória’

É sábado. Acabou a semana de trabalho, e para onde foram todos os executivos de Roseau? Bem, todos eles foram relaxar, por assim dizer, na Rotatória Pont Casse, outro improvável cenário culinário à beira da estrada que vai misturá-lo à comunidade Dominicana. Silenciosa durante a semana, a cabana da ilha é o agito principal aos fins de semana, quando moradores vêm de um raio de quilômetros atrás de rum e comida gostosa.

Respire fundo e mergulhe; peça o chouriço preto (R$6) e porco callaloo defumado (R$14) – um caldo de carne reforçado com bolinhos de batata e folhas de dasheen (nome local para inhame, raiz de um vegetal rico em amido). Considerando que você vai ter de dirigir até chegar lá, opte por um suco caseiro de sorrel, fresco e vermelho-brilhante (R$5) em vez de rum. Dominicanos não tendem a fazer uma refeição farta à noite (o que faz com que comer fora no jantar seja um negócio caro, voltado para turistas), então viajantes espertos vão economizar dinheiro fazendo como os moradores e comendo mais no almoço.

Explore a Propriedade Hampstead

(Foto:© Lorna Parkes / Lonely Planet)

Todo mundo que conhece Dominica vai dizer a você que a praia Batibou é a melhor extensão de areia da ilha. Não são somente os grãos claros e as águas azuis que atestam a afirmação, mas também a ausência de urbanização e o ambiente afastado – a praia fica escondida numa estrada vertiginosa e cheia de árvores (passeios em quatro rodas somente; taxa de acesso de R$16 a pé ou de carro). Ao chegar, você vai encontrar areias claras à sombra de lânguidos coqueiros, um barzinho na praia e redes convidativas; esse é o trunfo da Propriedade Hampstead, uma fazenda na costa leste da ilha que data de uns 400 anos atrás. Desde os anos 1960, tem sido propriedade de uma das famílias mais famosas de Dominica: os Douglas, sendo que uma deles (Rosie) foi primeira-ministra em 2000.

A propriedade inclui uma faixa de praias e estranhas ruínas cobertas de vegetação – ainda que bem preservadas – da fábrica de açúcar do século 18 (vale muito a pena uma visita), e os proprietários administram divertidas descidas pelo rio até a praia Number One, que foi uma das muitas ilhas das filmagens de Pirates do Caribe. A melhor parte? É a pousada da propriedade que o antigo presidente usava para se recolher durante feriados, a passos de distância daquela praia maravilhosa. Decrépita, encantadora e barata: por EC$100 (R$130) a noite, os quartos duplos são uma mão na roda, especialmente para que faz a própria comida – já que a cozinha está disponível para uso dos hóspedes.

Este artigo foi publicado em Julho de 2016 e foi atualizado em Julho de 2016.