Dicas e artigos

A volta ao mundo em 80 dias

Volta ao mundo em 80 dias

David Eimer

No clássico romance de aventura de Júlio Verne, Phileas Fogg penou em sua volta ao mundo em 80 dias. Mas, no século 21, rodear o globo tornou-se bem mais fácil: você só precisa comprar um bilhete aéreo Volta ao Mundo. Um viajante dedicado (e masoquista) poderia até cumprir a viagem em alguns dias sem dormir.

Mas, se você tem 80 dias disponíveis, há tempo suficiente para fazer essa viagem transformadora e a oportunidade de visitar lugares que nunca mais partirão de sua memória. O planejamento, porém, é essencial para você tirar o máximo proveito desse tempo precioso.

 

Só a passagem

Comprar o bilhete aéreo Volta o Mundo pode ficar bem mais em conta do que adquirir passagens separadas entre os destinos. Em geral, esse bilhete permite que você viaje para 16 lugares diferentes, com um mínimo de três paradas. A maioria das companhias aéreas faz parte agora de alianças globais, então o melhor é comprar a passagem de uma companhia que possua muitas parceiras no mundo, para que você possa viajar com todas elas. A maior parceira global é a da Star Alliance (www.staralliance.com), com 28 empresas diferentes que cobrem quase mil destinos em 162 países. Ela oferece versões variadas do bilhete de Volta ao Mundo, dependendo do número de milhas que você quer voar – entre 26 e 30 mil milhas.

A Oneworld (www.oneworld.com), com 11 companhias-membros, é a segunda melhor opção, também oferecendo bilhetes com quantidades variadas de milhas. Algumas companhias individuais – entre as quais, Virgin Atlantic (www.virgin-atlantic.com), Air New Zealand (www.airnewzealand.co.uk), KLM (www.klm.com) e Singapore Airlines (www.singaporeair.com) – também dispõem de passagens de Volta ao Mundo. Mas, nesse caso, você só poderá viajar nos aviões delas.

Decida se você quer viajar para o leste ou para o oeste. Todos os bilhetes de Volta ao Mundo exigem que você viaje em uma só direção, movendo sempre naquele sentido. E, assim como Phileas Fogg, você terá de partir para a sua aventura e finalizá-la no mesmo lugar. 

 

Tenha foco

Você quer uma experiência ativa, focada na aventura? Ou ver paisagens deslumbrantes é o seu objetivo? Você prefere o agito e a cultura das cidades a tomar banho de sol  na praia?

Seja lá o que você decidir, tenha em mente que a maioria dos bilhetes de Volta ao Mundo exige que você viaje aos grandes centros do mundo, como Londres, Los Angeles, Sydney, Bangkok e Rio de Janeiro; adicionar destinos fora de mão pode aumentar substancialmente o valor da passagem. Conversar com agências de viagem especializadas nesse tipo de passagem, como a STA Travel (www.statravel.com) e a Trailfinders (www.trailfinders.com), é uma boa ideia. Elas saberão a melhor maneira de costurar a sua passagem e atender às suas necessidades.

Lembre-se, também, de que você não precisa cumprir todos os trajetos de avião. Pode-se, por exemplo, voar para Nova York e depois dirigir até Los Angeles para pegar o próximo voo, ou fazer a conexão Pequim-Moscou no trem Transiberiano, ou até desbravar o continente africano por terra, indo do Egito à África do Sul.

 

Escolha o momento

O clima é um ponto crucial em uma viagem de volta ao mundo. Aterrisse em Sydney em dezembro, e você poderá ir direto para a praia; chegue ao hemisfério norte algumas semanas depois e encontrará as profundezas do inverno.

Embora você nunca vá conseguir um clima perfeito em todos os destinos, planeje com antecedência as atrações e atividades específicas de sua viagem. Por exemplo, se você quer mergulhar no mar de Andaman ou fazer uma trilha no Himalaia, não chegue bem no meio da temporada de monções.

 

Rotas sugeridas: três ideias para a sua superviagem


Para aventura: se é adrenalina que você procura, esta rota oferece de tudo, de desertos e mergulhos a montanhas e rafting em águas espumantes. Voe para Nova Déli. De lá, suba para o Nepal para uma trilha no Himalaia. Volte por terra para a Índia e voe para Bangkok, o portal de entrada para os mergulhos idílicos da Tailândia.

Siga depois para Queenstown, a ilha ao sul da Nova Zelândia e capital da aventura do mundo, onde você pode tentar de tudo: de bungee jumping a mountain biking eriver-boarding. De lá, é um pulinho para Sydney e as praias e os desertos da Austrália. Outro voo levará você a Los Angeles, de onde a famosa Rota 66 conduzirá você de carro até a costa leste. De Nova York, voe de volta para o Brasil.

 

Para cultura urbana e manifestações populares: se a sua preferência é mesmo a vida urbana, tente esta viagem. Voe de Nova York para Londres, depois siga para o Cairo para visitar os seus mercados, museus e, claro, as pirâmides. De lá, você pode fazer um pequeno cruzeiro pelo Nilo até Luxor, antes de seguir na direção sul até a ponta do continente, a Cidade do Cabo, na África do Sul. Aventure-se pelas rotas do vinho nas proximidades da cidade.

Depois da Cidade do Cabo, voe até Hong Kong, talvez passando por Bangkok ou Cingapura. Uma das mais vibrantes cidades do mundo também é um destino essencial para os amantes da boa gastronomia. A capital chinesa, Pequim, fica a apenas algumas horas de avião dali, o que permite a sua visita à Grande Muralha antes de cruzar o Pacífico até San Francisco, a mais europeia das cidades americanas.

Depois, dirija pela linda Pacific Coast Highway até Los Angeles para sentir um pouco da vibração da vida hollywoodiana. Voe depois para o sul, até Buenos Aires, a capital cultural da América do Sul. Da joia argentina, voe de volta para o Brasil.


Para os amantes da natureza: quem adora uma paisagem pode investir nessa viagem de leste a oeste, passando por alguns dos cenários mais dramáticos – desertos, florestas e montanhas – do planeta. Aterrisse nas paisagens incríveis da Nova Zelândia. Pare em Sydney e atravesse a Austrália pelo Outback até Perth antes de voar para Bangkok. Siga então para o norte, até Chiang Mai, ou desvie até Mianmar, que é, atualmente, o destino mais descolado do sudeste asiático.

Nova Déli, o ponto de partida para uma jornada pelos desertos de Rajasthan, fica a apenas um pulinho de Bangkok. Chegou a vez, daí, de se embrenhar pela África; voe até Nairobi e faça um safári no Quênia. Você pode parar no Cairo antes de seguir para uma capital europeia.

De lá, cruze o Atlântico de volta para o Brasil.

Este artigo foi publicado em Novembro de 2013 e foi atualizado em Novembro de 2014.