Dicas e artigos

Sete cidades onde mulheres mudaram o mundo

Anita Isalska

Mulheres incríveis nem sempre vão parar nos livros de história. Para cada líder formidável, intelectual rebelde ou artista que desafiou as convenções cujo nome ecoa por gerações, há incontáveis mulheres que foram esquecidas ou apagadas. Mas em algumas cidades, mulheres famosas deixaram uma marca inconfundível. Faça um tour do Egito antigo à França do século 20 e veja o mundo através os olhos de sete poderosas mulheres.


Templo Memorial de Hatshepsut em Luxor – não há muitos cenários mais dramáticos que esse © Nick Brundle Photography / Getty Images

Hatshepsut, mulher faraó de longo reinado: Luxor, Egito

Séculos antes de Cleópatra comandar exércitos e encantar governantes do Império Romano, Hatshepsut (aprox 1508–1458 AC) subiu ao poder. Nomeada regente quando seu marido, Thutmose II, morreu, Hatshepsut se tornou a primeira mulher a obter os poderes plenos que vinham com o título de faraó. Durante os 20 anos de seu reinado, ela encomendou templos monumentais, alguns ainda de pé hoje.

Comece no Templo de Luxor, cujas imponentes colunas e esfinges são uma expansão (feita por Amenhotep III) de um santuário mais antigo criado por Hatshepsut. Uns 7km a noroeste da margem oeste do Nilo, fica o Templo Memorial de Hatshepsut. Entalhado em um anfiteatro formado por penhascos de 300m de altura, esse espetacular templo de vários andares possui santuários dedicado a Anúbis, deus dos mortos, e a antiga deusa com cabeça de vaca, Hathor; procure o relevo que retrata Hatshepsut bebendo das tetas da deusa. Um pouco mais a noroeste fica o Vale dos Reis, o cemitério real, onde fica a sinuosa tumba onde Hatshepsut e seu pai Thutmose I, descansam a 100m de profundidade.

Pouco depois de sua morte, o nome de Hatshepsut foi apagado de seus templos. Porém, apesar dos esforços para tornar poeira a rainha-faraó, os colossais monumentos de Hatshepsut resistiram aos séculos.


O magnífico Hermitage de São Petesburgo, um complexo de palácios construídos sob o comando de Catarina, a Grande © Yarygin / Getty Images

Catarina, a Grande, imperatriz que definiu uma época: São Petesburgo, Rússia

São Petesburgo reluz com os diversos palácios ligados à vida de Catarina II (1729–1796), Imperatriz da Rússia. O reinado de Catarina é visto como uma idade de ouro: ela usou os ideais do iluminismo para passar reformas sociais e o Império Russo cresceu em tamanho e importância (de acordo com algumas estimativas, mais de 500.000 km²)

O complexo hoje conhecido como o Hermitage fica em palácios construídos sob o comando de Catarina. Seu museu é a coleção de arte mais impressionante da Rússia, com 360 quartos, iniciada pela própria Catarina. Ao lado dos museus fica o Palácio de Inverno, resplandecente em verde, branco e dourado, de onde Catarina se dirigiu a uma barulhenta multidão e declarou seu filho o governante da Rússia.

Admire mais do trabalho de Catarina 25km a sul do centro de São Petesburgo, na propriedade imperial de Tsarskoe Selo. O Palácio de Catarina foi bastante danificado durante a Segunda Guerra Mundial, mas o exterior de ouro e estuco foi restaurado para exibir a beleza anterior. Acompanhado de um audioguia, explore o Grande Salão, as enormes salas de janta e o Salão dos Retratos, que inclui uma pintura da régia Catarina II.  


Entre na Cidade Proibida, Beijing, reino da formidável Imperatriz Cixi © Hung_Chung_Chih / Getty Images

Imperatriz Cixi, mão de ferro e reformista: Beijing, China

Fazer turismo em Beijing traz relances do histórico reino da Imperatriz Dowager Cixi (1835–1908). Uma das mulheres mais poderosas na longa história da China. Cixi avançou entre as concubinas do imperador Xianfeng e ajudou a organizar um golpe após a morte dele. Cixi se tornou temida e admirada, uma grande manipuladora do governo até sua morte.

É fácil passar horas caminhando pelas pontes ornamentadas e pavilhões do Palácio de Verão de Beijing. Procure pelo barco de mármore (na verdade feito em parte de madeira); Dizem que Cixi encomendou sua restauração em 1893, ironicamente utilizando dinheiro que deveria ser destinado à marinha. Do outro lado do lago, o Templo do Rei Dragão foi onde Cixi implorou ao deus do clima para trazer chuva.

Cixi manteve sua corte na Cidade Proibida, 20km a sudeste. O Palácio da Eterna Primavera e o Palácio da Elegância Reunida foram ambos reformados sob as ordens dela, com modificações na planta original – uma escolha apropriada para uma imperatriz com tanta inclinação para desafiar a ordem estabelecida.


Arte de rua que marca o local de nascimento da cientista pioneira Marie Sklodowska-Curie em Varsóvia, Polônia © Slowcentury / Getty Images

Marie Curie, física e química premiada: Varsóvia, Polônia

A duplamente laureada pelo Nobel Marie Curie (1867–1934) tinha um orgulho imenso de sua identidade polonesa. Curie nomeou um dos elementos que descobriu de polônio em homenagem a sua terra natal. Embora o mundo se lembre do seu nome de casada, a cientista multidisciplinar nunca descartou seu sobrenome polonês.

Apropriadamente, é o Museu Marie Skłodowska-Curie que honra seu legado em sua cidade natal, Varsóvia. Dê uma volta nesse prédio do século 18 reconstruído onde são exibidos os documentos e pertences originais de Curie. Curie teve uma enorme contribuição no desenvolvimento da teoria dos isótopos radioativos e foi pioneira no uso desses isótopos para combater crescimento de tecido, a pedra fundamental de muitos tratamentos modernos para o câncer. Tragicamente, os equipamentos científicos exibidos eventualmente condenaram Curie, que morreu de doenças relacionadas à radiação.

Os bombardeios de 1939 e 1944 destruíram Varsóvia, mas a Cidade Velha foi cuidadosamente reconstruída com os mesmos tijolos. Passeie pela Praça da Cidade Velha, um patrimônio da Unesco, para admirar as casas de comerciantes do século 13 e as fachadas em estilo renascentista, ornamentadas como eram na época de Curie.


A Casa de Anne Frank no Centro Antigo de Amsterdam é um olhar arrepiante para um tempo conturbado © Anamejia / Getty Images

Anne Frank, escritora de diários na Segunda Guerra Mundial: Amsterdam, Holanda

Nenhuma voz capturou a angústia da Segunda Guerra, ou exprimiu um chamado tão claro pela paz mundial, quanto Anne Frank (1929–45). Publicado pelo pai de Frank depois que ela foi assassinada no campo de concentração de Bergen-Belsen, o diário reconta os dois anos que a família passou escondida em Amsterdam. As observações de Frank a respeito da vida no limite entre infância e vida adulta são perfeitas.

A família se escondeu em um anexo Escondido por uma estante de livros no número 263 Prinsengracht, onde ficava o negócio do pai de Frank. O estreito prédio de tijolos, uma típica casa comercial do século 17, foi conservada como um museu. A coleção de 15.000 itens retrata de forma tocante a vida da família no esconderijo e expõe o diário original de Frank. Ali perto, em frente a renascentista Westerkerk, uma esguia estátua de bronze de Frank olha na direção do céu.

Alugue uma bicicleta em uma das diversas estações ali perto e pedale a leste até o Nieuwe Amstelstraat. Aqui, o Museu Judaico explica a história da comunidade Judaica de Amsterdam no pré-guerra, além de ser o ponto de partida para tours do bairro judeu. A história é sempre trágica, mas o legado de Frank oferece um lampejo de esperança.


Cafe Les Deux Magots, favorito de Simone de Beauvoir, autora do seminal tratado feminista O Segundo Sexo © Oleg Albinsky / Getty Images

Simone de Beauvoir, escritora e filósofa: Paris, França

A mulher mais celebrada da Paris do século 20 destruiu noções antiquadas de feminilidade com um golpe de sua caneta. Em O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir (1908–1986) fez a famosa declaração “não se nasce mulher, torna-se uma”. A ideia de que condições sociais moldam mulheres continua atual.

Embora Beauvoir tenha viajado muito, os cafés de Paris foram onde ela afiou suas ideias. No Les Deux Magots na Saint-Germain-des-Prés, mesas e cadeiras de vime se espalham pela calçada; mas Beauvoir costumava ser vista do lado de dentro, ocupada escrevendo em um canto. A passos dali fica o Café de Flore, seu interior art-déco preservado como era quando Beauvoir discutia com seu amante e confidente de toda a vida, o filósofo e dramaturgo Jean-Paul Sartre.

A história de Beauvoir termina a uma pequena viagem de metrô ali, no Cimetière du Montparnasse, construído no século 19, onde ela compartilha uma morada final e simples com seu amado Sartre.


Invoque o colorido espírito de Frida Kahlo enquanto você explora os canais de Xochimilco na Cidade do México © Matt Mawson / Getty Images

Frida Kahlo, pintora que desafiou gêneros e ícone feminista: Cidade do México, México

Com seu olhar penetrante e sobrancelha desafiadora, os autorretratos de Frida Kahlo (1907–1954) são instantaneamente reconhecíveis. A androginia da artista mais celebrada do México – que cultivava seus pelos faciais e vestia ternos masculinos com tanta frequência quanto vestidos tradicionais – a tornou um ícone em seu próprio tempo. Hoje as pinturas ousadas de Kahlo, que retratam a agonia de corações partidos e abortos espontâneos, continuam cativantes.

A artista passou muitos anos vivendo na chamada Casa Azul, na Cidade do México, que tornou-se o Museo Frida Kahlo, hoje cheio de objetos da vida da pintora: joias, roupas, lembranças e fotografias que mostram ela e seu marido, o muralista Diego Rivera. Obras de Arte que Kahlo colecionou também estão expostas, um olhar enriquecedor para o que inspirava uma das mulheres mais inspiradoras do mundo.

Uma viagem de meia hora de táxi para o sudeste te leva aos canais de Xochimilco, adorados por Kahlo e seu marido Rivera. O olhar apaixonado de Kahlo nunca arrefeceu, apesar das muitas tragédias que ela sobreviveu. Embarque em um barco e deslize pelas águas ouvindo as bandas de mariachi e bebendo tequila; o cenário colorido captura perfeitamente o apetite de Kahlo pela vida.  

Este artigo foi publicado em Abril de 2019 e foi atualizado em Abril de 2019.