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Cultura, comércio e cozinha: oito das melhores Chinatowns do mundo

Hugh McNaughtan

A maior parte das grandes cidades possui uma Chinatown, um enclave de cultura, comércio e culinária chinesas. Embora nenhuma delas seja necessariamente planejada, ou siga o mesmo modelo, todas possuem histórias fascinantes e recompensam viajantes curiosos com arquitetura vibrante, festivais animados e comida deliciosa.

Cada uma dessas oito Chinatowns – testemunho do espírito cosmopolita e explorador de sua cultura fundadora – é um destino que vale a visita por si só. Mas dê a seu passeio uma dimensão gastronômica e você irá entender a sabedoria da venerável máxima chinesa: “para o governante, o povo é o paraíso; para o povo, a comida é o paraíso”.


A Chinatown de Singapura é um labirinto de restaurantes, barraquinhas e maravilhas antigas © Mongkol_Chuewong / Shutterstock

Singapura

Em uma cidade obcecada com comida, a Chinatown de Singapura, animada e fumegante, consegue se destacar. Embora a máfia e antigas casas de ópio tenham sido retirados, você ainda consegue sentir as camadas de história e vida moderna que coexistem aqui ao caminhar por entre os prédios baixos que se escondem em meio a templos castigados pelo tempo, tudo isso cortado por ruas cheias de arte urbana, bares animados e restaurantes que misturam arquitetura tradicional e decoração moderna.

Mergulhe nessa história fascinante no Chinatown Heritage Centre antes de seguir para o paraíso gastronômico de Chinatown Complex, onde fica a Hong Kong Soya Sauce Chicken Rice & Noodle, uma barraca tão boa que possui uma estrela no Michelin. O dono, Sr. Chan Hon Meng serve um dourado frango ao shoyo e crocante porco char siu para a fila de amantes de churrasco que se forma bem antes do lugar abrir.


Abra seu apetite caminhando pelas ruas íngremes de São Francisco antes de se encher de dumplings na Chinatown da cidade © Sean Pavone / Shutterstock

São Francisco, EUA

São Francisco é o lar da maior, mais antiga e mais lendária Chinatown dos Estados Unidos. A Corrida do Ouro em 1848 atraiu centenas de milhares de pessoas para o antigamente minúsculo entreposto do Pacífico, entre eles chineses atrás de fortunas que cruzaram os mares para mergulhar na lendária “montanha de ouro”. Nas ruas que se seguem ao icônico Portão do Dragão (um presente dado por Taiwan em 1970) você encontrará ruelas lotadas cheias de casas de dumplings, tijolos sobreviventes do devastador incêndio de 1906 e diversos santuários culturais, como o Chinese Historical Society Museum.

Quando a fome bater, explore como a busca incansável dos californianos por inovação e delícias influenciou a comida chinesa no estiloso Mister Jiu, onde o chefe local Brandon Jew juta cabeça de porco de Devil’s Gulch (servida em fatias finíssimas, como se fosse um prosciutto) com kohlrabi (repolho selvagem), amaranto (um tipo de grão) e ovo de chá (literalmente um ovo cozido em chá e especiarias) ou cozinha caranguejos no vapor e os serve com aromáticas ervas e temperos cantoneses.


Um prato de comida fusion que poderia ser uma obra de arte no Seamstress, Melbourne © Seamstress

Melbourne, Austrália

Melbourne também deve sua bem enraizada Chinatown às riquezas da terra, com os primeiros imigrantes chineses tendo chegado à jovem cidade quando ouro foi descoberto, em 1850. Em consequência, a Chinatown de Melbourne é uma das mais antigas no hemisfério sul e foi enriquecida pela diversidade cultural da cidade: restaurantes indonésios, coreanos, malaios e tailandeses estão abrindo no bairro.

Esse sincretismo pan-asiático se encontra com a famosa cultura de bares de Melbourne no Seamstress, um imponente armazém vitoriano que serve pratos de influência chinesa como cordeiro com cinco temperos com tofu e pasta de feijão fermentado, ou wontons de feijão chicote e batata doce com puré de ervilha e espuma de coentro.

Claro que laços mais “puros” com a terra natal também foram mantidos, como pode ser visto pelas vidraças do Hu Tong Dumpling Bar, onde talentosos chefes expatriados fazem sua mágica. É impossível passar pelo xiao long bao sem dar uma mordida. Morda o topo de um desses bolinhos sedosos de porco, sugue o líquido e se imagine nas vielas da Antiga Xangai.


Se perca na mais antiga Chinatown do mundo em Manila © Erwin Dimal / Shutterstock

Manila, Filipinas

O distrito Binondo de Manila é reconhecido como a Chinatown mais antiga do mundo e seu pedigree vai além de sua demarcação oficial, feita pelos colonizadores espanhóis em 1594. É também uma das maiores do mundo – um polo borbulhante de negócios, cultura e, naturalmente, comida. Descendentes em geral dos habitantes da parte sul da China em que se fala o Kokkien, esses filipinos-chineses amam frutos do mar, cogumelos e pratos temperados com parcimônia nos quais os ingredientes frescos falam por si.

O Quik Snack na Carvajal St (Também chamada de Pilar de Amah, ou Pilar da Avó) é um ótimo lugar para ver como os clássicos hokkien ganharam um sotaque Filipino, ou até mesmo espanhol. Prove o ku-tsai-ah (empanadas chinesas) ou o misua guisado (macarrão frito com porco, vegetais ou peixe).


Se afunde em uma tigela de lomo saltado no Barrio Chino de Lima© Christian Vinces / Shutterstock

Lima, Peru

O coração histórico da diáspora chinesa no Peru, 1,5 milhões de pessoas, a maior na América Latina, é o Barrio Chino de Lima. Seus numerosos chifas (restaurante chinês) prosperam entre os descendentes dos mais ou menos 100.000 imigrantes cantoneses que chegaram ao país para trabalhar na mineração e nas plantações de açúcar depois que a escravidão foi abolida em 1854.

Os clássicos dos chifas incluem versões peruanas da comida chinesa, como o lomo saltado (carne grelhada) e pollo tipakay (frango agridoce). Com porções tão grandes quanto seu cardápio de 16 páginas, o Wa Lok é uma das melhores chifas do Barrio Chino: prove o pa kap sun, uma espécie de taco com carne de pombo embrulhada no alface, e acompanhe com o sabor de limão e verbena da Inca Kola.


Um tradicional prato Chiuchow feito de macarrão de arroz na sopa com porco, tofu, shoyo e um ovo cozido © Lifebrary / Shutterstock

Paris, França

Apesar do mais velho e maior dos Quartier Chinois de Paris, no 13 arrondissement, ser dos anos 1920, o alto número de vietnamitas, cambojanos e laosianos que convivem com a maioria chinesa estão aqui desde o início das conexões coloniais da França com a Indochina, nos anos 1800.

No La Chine Masséna você encontra uma excelente cozinha Chiuchow, da parte oriental de Guangdong. Com temperos leves e comandado pelo frescor e sabor dos ingredientes, esse tipo de comida chinesa é uma combinação perfeita com o paladar francês e não precisou de muita adaptação. Prove o turbot – um peixe branco e perolado nativo do Mediterrâneo e Atlântico norte – cozido no vapor com gengibre e cebolinha.


Mulheres preparando dumplings na janela da frente de um restaurante na Chinatown de Toronto © Philip Lange / Shutterstock

Toronto, Canadá

Toronto possui diversos enclaves chineses, mas é no cruzamento da Spadina Ave com a Dundas Street que você encontra o maior, mais antigo e mais vibrante. Definitivamente vale a pena procurar o Mother’s Dumplings, um pequeno refúgio de felicidade gastronômica vindo de Shenyang, no nordeste da China. A mãe da chefe Zhen, com quem ela aprendeu a arte de esticar a massa, veio dessa terra original dos dumplings. Prove o shui mai de cordeiro – dumplings em formato de flor cujo recheio ovino reflete sua origem mongol e a preferência dos carnívoros canadenses.  


O ornamentado protão de entrada da Chinatown de Yokohama © Patryk Kosmider / Shutterstock

Yokohama, Japão

A Chinatown de Yokohama possui mais de 600 lojas e restaurantes chineses na pequena área demarcada por 10 portões alegremente decorados e que se espalha em volta do impressionante templo Kantei-byō, dedicado ao deus dos negócios. As profundas raízes da comunidade podem ser vistas no imponente Manchinrō Honten, um restaurante de estilo cantonês que serve comida do sul da China, apropriadamente adaptada aos gostos locais, desde 1892. Pratos simples feitos na frigideira como vieiras com alho porró ou carne com aspargos brilham com a pureza e frescor exigidos pelos japoneses.

Este artigo foi publicado em Abril de 2019 e foi atualizado em Abril de 2019.