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Quanta bobagem! Os piores conselhos de viagem do mundo

Beber "qualquer" água: arriscado?

Leif Pettersen

"Não gaste dinheiro com garrafinhas de água! Bebi da torneira e não aconteceu nada”, gaba-se um colega de albergue em Kathmandu, no Nepal. Essa pessoa não seria vista pelos próximos três dias, quando finalmente apareceu uns 4kg mais magra.

"Eu nunca reservo um quarto antes de chegar ao destino. É melhor visitar todos os albergues antes de se decidir por um”, um viajante lhe informa com segurança, enquanto você gasta cerca de 10 minutos para reservar um quarto pela internet. Esse sujeito passará quatro horas vagando pelas ruas de Barcelona em busca de uma cama vaga, carregando todos os pertences e gastando US$8 no transporte público – enquanto isso, você fará o seu check--in, irá a um museu, almoçará e talvez sobre tempo até para uma soneca.

"Os franceses são todos grossos e os britânicos, todos educados”, diz a sua tia, que nunca colocou os pés fora do país.

Esse conselho de viagem já é duvidoso de cara. Ao menos para a maioria das pessoas. Outros conselhos talvez precisem de um pouco de reflexão, ou de um erro caro ou doloroso, antes de serem declarados como pura bobagem. (Antes que esqueça, de fato beber água da torneira, mesmo em países improváveis, em geral é ok.)

Aprenda com os erros de outros estudando a nossa seleção de péssimas dicas clássicas e contemporâneas.

1. Mulheres nunca devem viajar sozinhas

Uma das afirmações de viagem mais debatidas. A resposta, claro, é “depende”. Lugares como a Índia e alguns países do Oriente Médio podem ser desafiadores para mulheres viajando sozinhas. Agora, as advertências sem fundamento de que moças não podem perambular sem companhia em países como a Tailândia ou – o que é hilário – na Inglaterra são as que fazem viajantes experientes protestar imediatamente. Coisas ruins podem acontecer em qualquer país, com homens e mulheres, e o melhor conselho a ser dado é: não corra riscos que você não correria no seu país de origem.

2. Diga não à comida de rua

Esse é, sem exagero, o pior conselho de viagem da história. Sim, em alguns países é preciso tomar algumas precauções ao escolher um vendedor de comida na rua; mas a comida de rua é, talvez, o caminho mais direto e barato para desvendar a identidade do país e deve ser considerada uma parte integrante da viagem. Além disso, viajantes mais experientes certamente terão alguma história de terror sobre como passaram mal após comer em restaurantes de alto nível em lugares como os Estados Unidos ou a Itália, provando que é possível passar mal com comida de qualquer lugar.

3. Leve traveller's cheques para emergências

Traveller's cheques deixaram de ser essenciais no fim dos anos 90, quando redes internacionais de caixas eletrônicos se espalharam por todo canto. Hoje em dia, traveller's cheques são quase inúteis na maior parte dos destinos, pois poucos bancos e casas de câmbio os trocam por dinheiro. Para emergências, leve um cartão de débito ou crédito de emergência, guardado em segurança fora da carteira. Em alguns casos, é uma boa ideia esconder um bolinho de notas da moeda local, como euros ou dólares, para imprevistos.

4. A Itália tem a melhor pizza do mundo

Viajantes econômicos, em particular, poderão contar sobre a “pior pizza da vida” comprada nas ruas de Veneza ou outras cidades turísticas similares na Itália. Armadilhas para turistas costumam vender comida horrível na maior parte dos pontos turísticos, mesmo que sejam exemplares de sua culinária mundialmente famosa.

5. Planeje tudo /não planeje nada

Tenha em mente uma série de ressalvas para esse tipo de afirmação. Desde que o destino e o tempo permitam, planejar pouco ou nada – digamos, para uma viagem pela Grécia na temporada intermediária – pode resultar em uma das aventuras mais inesquecíveis da sua vida. O mesmo, porém, não pode ser dito para quem quer pular de ilha em ilha no Caribe na alta temporada – você pode acabar falido e/ou dormindo em um banco de praça. Felizmente, a maioria dos destinos fica mais ou menos no meio dessas duas posturas, por isso um equilíbrio entre planejar e não planejar é, em geral, bem seguro.

6. Não dá para entrar no Facebook na China

Na maioria das vezes, isso não é problema. É possível acessar Facebook, Twitter, Tumblr e quase todo o resto na China, desde que você se determine a fazer isso. Uma pesquisa rápida das informações apresentará soluções.

7. Leve mais peças para não ter de lavar roupa

Pode até ser um raciocínio correto, mas nada prático. Com poucas exceções, mandar lavar a roupa durante a viagem pode ser bem simples, mais fácil e menos caro do que em casa – no Vietnã, lavar a roupa significa dar um saco de roupa suja e US$1 para o atendente do hotel ou do albergue. Além disso, quanto mais roupas você levar, mais pesada ficará a sua mala, o que pode causar incômodos variados em viagens terrestres longas e multa por excesso de peso nas companhias aéreas.

8. Leve solução para lentes de contato / protetor solar / absorventes / remédios sem receita para a viagem inteira

De novo, isso pode variar conforme o destino, mas, em geral, você encontrará lá tudo que você tem no seu país. E, às vezes, até mais barato.

9. Leve uma faca para se proteger em viagens

Qualquer pessoa que dê esse conselho não deve ter viajado muito na vida – e talvez seja melhor ficar longe dela na sua cidade também.

10. Nem se preocupe em levar um guia, você encontra todas as informações na internet

Pode até ser que um dia isso se torne verdade, mas ainda é arriscado confiar apenas na informação colhida em horas de pesquisa on-line. Até que existem alguns sites excelentes de alguns destinos, mas, para cada um deles, há outras centenas de sites desatualizados, mal apurados ou que cobrem apenas os pontos turísticos óbvios e lotados.

Mais importante que isso, você se sente muito mais seguro quando lê dicas de viagem em uma fonte consistente e experiente, verificada por um editor meticuloso e apurada por autores conhecedores do lugar, que viajaram especificamente para coletar informações para o guia. Eu sinceramente não sei o que vai superar esse festival de confiança, mas, até que chegue esse dia mágico, vou continuar comprando guias de viagem.

LeifPettersen é autor da Lonely Planet, repórter freelancer de viagem e poliglota. Já visitou 51 países (até agora) e pode ser encontrado em @leifpettersen.

Este artigo foi publicado em Fevereiro de 2014 e foi atualizado em Novembro de 2014.