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Quando em Paris, seja um parisiense

Paris

A cidade mais visitada do mundo não é apenas um resort urbano. Paris tem a maior densidade populacional das capitais europeias e seus parques e cafés são suas salas de visitas e de jantar, enquanto as lojas e os mercados de bairro representam a base da vida local.

 

Beba como um parisiense

O vinho é a preferência parisiense
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A alta concentração de moradores é a razão de a maioria dos bares e cafés parisienses fechar às 2h da manhã – em respeito às leis antirruído. Esta também é a razão de serem tão poucas as casas noturnas no centro da cidade.

Em Paris, as refeições são quase sempre regadas a vinho, que muitas vezes custa menos do que uma garrafa de água. A bebida alcoólica é, em geral, para ser saboreada e não para se embriagar. Os parisienses costumam ir a bares em grupos de amigos, portanto você terá menos chance de se entrosar do que nos pubs ao estilo britânico.

 

Jante como um parisiense

Os franceses levam a gastronomia muito a sério - e estão certíssimos!
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Os parisienses são obcecados por comprar, preparar, falar sobre comida – e, sobretudo, degustá-la. A qualidade supera a quantidade, o que se reflete nas lojinhas especializadas em comida gourmet, que não apenas sobrevivem como progridem. Outra consequência dessa peculiaridade é o tamanho das porções, que se por um lado são menores do que em outros países, por outro são requintadas e, principalmente, deliciosas.

Entre os franceses, o almoço de domingo é tradicionalmente a principal refeição da sema­na, mas o brunch está na moda e ganhou lugar no calendário social do fim de semana. Muitos cafés e bares servem o brunch no domingo por volta do meio-dia até as 16h. Recomendam-se reservas para os lugares mais populares (alguns oferecem brunch também aos sábados).

 

Converse como um parisiense

Além de comida, os parisienses gostam de conversar sobre filosofia, arte e esportes como rúgbi, futebol, ciclismo e tênis. É tabu falar de dinheiro em público (salário ou gastos, por exemplo). Para uma espirituosa – e bem acurada – perspectiva de interação com os parisienses, tenha em mãos o livro Stuff Parisians Like (2011), de Olivier Magny – ou acesse o blog que o inspira (www.o-chateau.com/stuff-parisians-like).

 

Discuta como um parisiense

Um dos vários cafés no Marais
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Para passar no baccalauréat (espécie de vestibular), os franceses precisam tratar de conceitos como o existencialismo – daí a popularidade dos philocafés (cafés filosóficos), onde acontecem longas e calorosas discussões sobre, por exemplo, “o que é um fato?”. O primeiro dos philocafés (e talvez o melhor), o Café des Phares, no Marais, foi criado por um filósofo e professor da Sorbonne já falecido, Marc Sautet (1947–98). A maioria das sessões dos philocafés acontece em francês, mas há uma versão popular em inglês que acontece em St-Germain-des-Prés, no Café de Flore, na primeira quarta-feira de cada mês, das 19h às 21h. A entrada é gratuita, mas você precisa consumir ao menos uma bebida. Para se inscrever, acesse www.philosophy.meetup.com/274.

 

Vista-se como um parisiense

Não é à toa que Paris é uma das capitais mundiais da moda
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É quase impossível exagerar no figurino nessa cidade tão ligada à moda. Os parisienses têm um senso apuradíssimo de estética e são meticulosos em sua apresentação. Você não verá nenhum deles saindo de seu apartamento com o cabelo molhado, usando tênis de corrida e paletó ou com um moletom amarrado na cintura (em vez de sobre os ombros). O parisiense dá mais atenção ao estilo do que à moda, misturando o básico de lojas como a H&M com peças de designers, artigos de brechó e acessórios escolhidos a dedo. Mesmo os cães são elegantes – há lojas especializadas em roupas para eles.

 

Circule como um parisiense

Locomoção

Algumas dicas o auxiliarão a circular pela cidade: os números das ruas marcados com bis (duas vezes), ter (três vezes) ou quater (quatro vezes) são similares aos ingleses a, b etc. Para entrar em um edifício de apartamentos, em geral você precisará do digicode (código) alfanumérico para abrir a porta. Uma vez no interior do edifício, os apartamentos comumente não têm números, nem tampouco indicação do nome do morador. Para saber em que porta bater, você provavelmente receberá instruções meio misteriosas como “cinquième étage, premier à gauche” (quinto andar, primeira à esquerda) ou “troisième étage, droite droite” (terceiro andar, à direita duas vezes). Em todos os edifícios, o primeiro andar é o que fica acima do rez-de-chaussée (térreo).

 

Transporte

O metrô é um dos meios de transporte mais usados na cidade
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Parisienses de todas as classes sociais e ocupações – de estudantes a renomados chefs de cozinha – usam o metrô. Se for permanecer na cidade por uma semana ou mais, adquira um passe Navigo para economizar dinheiro e passar pelas catracas de acesso sem precisar enfrentar a fila de tíquetes.

O sistema de bicicletas Vélib’, praticamente gratuito, tem se mostrado muito popu­lar desde sua implantação há alguns anos – os estilosos parisienses que antes não seriam vistos nem mortos manejando o guidão de uma bicicleta agora correm para todos os cantos da cidade sobre elas.

Na esteira desse sucesso, em fins de 2011, Paris lançou o primeiro programa de compartilhamento de carros elétricos do mundo, o Autolib’. Mas essa é uma circunstância na qual você não vai querer estar na pele dos locais – disputar es­paço em rotatórias sem faixa e ruas de mão única com scooters e bicicletas que surgem do nada pode ser uma experiência desesperadora para os não iniciados. (Fique ligado: os motoristas parisienses não raro ignoram o farol verde para pedestres. Cuidado ao atravessar a rua!)

Se preferir ter alguém dirigindo por você, os ônibus regulares são baratos e uma alternativa muito mais interessante do que os ônibus para turistas. As rotas mais agradáveis em termos de cenário são as linhas 21 e 27 (Opéra–Panthéon), a linha 29 (Opéra–Gare de Lyon), a 47 (Centre Pompidou–Gobelins), a 63 (Musée d’Orsay–Tro­cadéro), a 73 (Concorde–Arc de Triomphe) e a linha 82 (Montparnasse–Tour Eiffel). 

Graças ao tempo (em geral) clemente e o ter­reno (geralmente) plano, os parisienses – mesmo os policiais – muitas vezes cruzam a cidade de patins. Paris é também o lar da maior “frota” de patins do mundo: Pari Roller.

 

Informações úteis

Paris está dividida em 20 arrondisse­ments (distritos), que se estendem em espiral no sentido horário a partir do centro, como a casca de um caracol. Os números ordinais que se referem aos arrondissements – 1er (primeiro), 2e (segundo) e assim por diante – in­tegram todo endereço parisiense (como neste guia). Cada distrito tem sua própria personalidade, mas são os quartiers (os bairros), que não raro ultrapassam os limites entre os arron­dissements, que conferem a Paris sua atmosfera de vilarejo.

 

Essa matéria faz parte da 2ª edição do Guia Paris da Lonely Planet. Ainda em 2015 lançaremos a 3ª edição do guia. Fique de olho!

Este artigo foi publicado em Abril de 2015 e foi atualizado em Abril de 2015.

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