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Extremo oriente russo: 10 melhores experiências

Anna Kaminski

O Extremo Oriente Russo possui uma mística que atrai viajantes há gerações. Com os vulcões e gêiseres de Kamchatka, antigos pilares no rio Lena e alguns dos assentamentos humanos mais remotos e gelados do mundo, além de cidades cosmopolitas como Vladivostok e Khabarovsk, a região tem algo pra todo mundo. O passado intenso da Rússia também se faz presente aqui, da ferrovia BAM (Baikal-Amur Mainline) até a infame estrada de Kolyma, que leva a Magadan, o mais famoso posto do sistema de gulags orientais.


A noite cai sobre a ponte suspensa da Baía de Zolotoy Rog em Vladivostok © Ovchinnikova Irina / Shutterstock

Vladivostok

O “Mestre do Leste” é uma cidade descolada e dinâmica impressionantemente emoldurada pela Baía de Zolotoy Rog. Vladivostok é a capital não oficial do extremo oriente russo e um peso-pesado cultural. O renomado Teatro Mariinsky de São Petersburgo inaugurou o Palco Primorsky na cidade recentemente, juntando-se ao novo Hermitage Vladivostok e ao estrelado Zarya Centre for Contemporary Art como as principais atrações culturais da cidade. Enquanto isso, o Submarino S-56, o Forte Nº 7 e  a Fortaleza de Vladivostok homenageiam a história da cidade como a mais importante base naval do leste da Rússia. A cena gastronômica de Vladivostok só fica atrás de Moscou e São Petesburgo e diversos bares e pubs atraem os notívagos. Se o ritmo frenético for um pouco demais para você, escape para as praias nas Ilha Russky e Ilha Popov. 

Esso

Bem no coração da lendária península de Kamchatka, a pequena cidade de Esso é o ponto de partida para excelentes trilhas, banhos nas istochniki (termas) e rafting no rio Bystraya. Encantadoras isbás (chalés de madeira) podem ser encontradas em um aromático vale cercado por montanhas arborizadas. Uma bem demarcada rede de trilhas corta o Bystrinsky Nature Park ali em volta e variam em dificuldade e distância – a mais curta tem 2km, e a mais longa, 42km.


Um dos destaques de Kamchatka, o vaporoso vale dos geysers só pode ser alcançado de helicóptero © Alla / Shutterstock

Vale dos Géisers, Kamchatka

Acessível apenas com um tour de helicóptero que parte de Petropavlovsk-Kamchatsky, o fumacento Dolina Geyzerov é a estrela de Kamchatka –  a península cheia de vulcões e gêiseres possui a topografia mais dramática e volátil da Rússia. Esse vale de 8km é cortado pelo rio Geysernaya e pontilhado por dezenas de gêiseres que esporadicamente lançam vapor, lama e água para cima. Alguns dos mais coloridos podem ser admirados de cima de uma passarela especial.

Yakutsk

A remota capital da República de Sakha é ao mesmo tempo a cidade mais fria do mundo e uma maravilhosa da engenharia soviética, construída inteira sob permafrost. Sua rede de canos expostos, que levam água e gás, são uma visão peculiar, mas Yakutsk é um lugar surpreendentemente cosmopolita apesar de seu isolamento. Uma visita ao estranho Reino do Permafrost vale bastante a pena para ver as esculturas de gelo de deuses pagãos e criaturas mitológicas que nunca derretem, enquanto o Museu de Arte Nacional te apresenta a esculturas feitas de chifre de mamute e pinturas de artistas locais. O melhor lugar para experimentar iguarias de Sakha como a indigirka (peixe cru congelado), rena e zherebyatiny (filé de cavalo) são os restaurantes Chochur Muran e Makhtal.


Sinalização da ferrovia BAM, uma maravilha da engenharia e alternativa à Transiberiana © Philip Lee Harvey / Lonely Planet

Viajando na ferrovia BAM

Se estendendo por 4324km, de Severobaikalsk (na margem norte do lago Baikal) até o Mar de Okhotsk, a BAM (Baikal-Amur Mainline) é um triunfo da engenharia ferroviária (e do trabalho forçado) e uma alternativa menos movimentada à Transiberiana. Com suas pontas que cruzam os poderosos rios Lena e Amur, seus túneis que cruzam quilômetros de pedra maciça e seus trilhos que cruzam florestas densas e taiga, a BAM é uma forma maravilhosa de conhecer russos comuns. Você pode se ver dividindo uma cerveja ou um chá e colheradas de caviar com mineiros ou lenhadores intensamente curiosos a seu respeito. Vale desembarcar em Tynda, onde o escritor de viagem Dervla Murphy ficou preso enquanto escrevia Through Siberia by Accident, para visitar o museu da BAM, e em Komsomolsk-na-Amure, para ver os grandiosos mosaicos da era soviética e as praias na margem do rio.

Oymyakon

Uns 650km a leste de Yakutsk, a pequena estação de criação de renas e raposas de prata em Oymyakon (mais ou menos 500 habitantes) é o lugar de habitação permanente mais gelado da terra, com as temperaturas nos vales em volta caindo até -82°C. Várias agências de viagem em Yakutsk, incluindo a Visit Yakutia, organizam passeios de uma semana para Oymyakon, durante o Festival Polo do Frio, no fim de março, com corridas de renas, concertos ao ar livre e outras festividades.


Os domos dourados da Catedral da Transfiguração em Khabarovsk são impressionantes sob o sol do inverno © Konstantin Baidin / Shutterstock

Khabarovsk

Quer você venha no inverno pelas esculturas de gelo, ou no verão pela vida noturna animada e a praia do rio Amur, Khabarovsk é um sopro de ar fresco, especialmente se você passou dias enfiado em um trem para chegar aqui. Seus largos bulevares são cercados por imponentes prédios da época czarista (note a Far Eastern State Research Library e o Tsentralny Gastronom), e existem diversos calçadões arborizados para passeios pela cidade, incluindo os na Amursky bul e Ussuriysky bul. Os destaques da crescente cena gastronômica são a cozinha georgiana do Satsivi e a fusion do Farsh; alguns bons bares estão espalhados pelo centro da cidade, incluindo o hipster Brozbar, com uma boa seleção de cervejas artesanais.

Magadan e Autoestrada de Kolyma

Cercada por montanhas nevadas e margeada pelo Mar de Okhotsk, Magadan é uma cidade surpreendentemente agradável, dado seu passado obscuro. Descrita como um “polo de frio e crueldade” no livro Arquipélago Gulag de Solzhenitsyn, era o mais notório dos campos stalinistas de trabalhos forçados, dos anos 30 até o meio dos anos 50. O hostil clima subártico e medonhas condições de trabalho mataram estimados mais de um milhão de prisioneiros na região de Kolyma, lembrados pelo gigante monumento Máscara do Remorso, localizado em uma colina acima de Magadan, assim como no Museu Regional de Magadan. Você pode chegar aqui por via aérea, ou fazendo a road trip mais ambiciosa do extremo oriente russo – uma jornada de três ou quatro dias desde Yakutsk em um veículo de 6 rodas ou um caminhão, através da Autoestrada de Kolyma, também conhecida como “estrada dos ossos”, construída sobre as costas de incontáveis trabalhadores dos Gulag.  


Os pilares de calcário do Lena, na República de Sakha, são um passeio de barco popular em Yakutsk © Vicky Ivanova / Shutterstock

Pilares do Lena

O cruzeiro mais popular do extremo oriente russo é o passeio de dois dias de Yakutsk até os Lenskie Stolby (Pilares do Lena) seguindo o imponente rio lena. Parecidos com uma floresta petrificada, os pilares de calcário ocupam 80km, têm 35 milhões de anos e se elevam para o céu a partir do leito do rio – uma visão impressionante depois de horas flutuando por uma impenetrável floresta. A Lena Tur Flot oferece cruzeiros de 36 e 46 horas em seus dois confortáveis barcos. Você até verá uma cerimônia com um shaman.

Blagoveshchensk

Um remoto entreposto russo desde 1644, essa cidade de fronteira dá para seu vizinho chinês consideravelmente mais moderno, Heihe, do outro lado do rio Amur. Contudo, vale a pena fazer o desvio de 110km ao sul da linha principal da Transiberiana para chegar em Blagoveshchensk e ver a encantadora arquitetura da época czarista que enfeita o centro da cidade; outro destaque é o amplo Museu Regional de Amur. Blagoveshchensk também é um dos lugares na Rússia em que é mais fácil passar para a China (embora você precise organizar o visto com antecedência).

Este artigo foi publicado em Novembro de 2018 e foi atualizado em Novembro de 2018.

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